Curitiba - A Polícia Civil prendeu ontem Gilmar Ferreira de Aguiar, de 34 anos, acusado de tentar extorquir dinheiro em troca de informações sobre o atentado cometido contra o deputado estadual Barbosa Neto (PDT). Aguiar havia prometido entregar quatro fitas com gravações de conversas cujo tema seria a maneira como o crime teria sido planejado e quem seria o mandante do crime ao vereador de Curitiba Jorge Bernardi (PDT) em troca de R$ 3 mil. O carro de Barbosa Neto foi alvejado por dois tiros na noite de quarta-feira quando o parlamentar chegava à sua residência em Curitiba.
Aguiar, que já respondeu a um processo por extorsão anteriormente em Apucarana (sua cidade natal), foi preso após policiais civis realizerem uma tocaia no momento em que ele entregaria as fitas cassetes em troca de R$ 3 mil no Bairro do Boqueirão. A polícia já havia tentado abordar o suspeito de extorsão na quarta-feira, mas não tinha obtido sucesso. No momento de sua captura, Aguiar não tinha as fitas em seu poder. ''Vamos ouvir seu depoimento no cartório e providenciar um mandado de busca caso as fitas realmente existam'', afirmou o delegado responsável pelo caso, Stélio Machado.
A existência das fitas foi divulgada pelo vereador Jorge Bernardi. Na quinta-feira, o parlamentar recebeu uma ligação em seu gabinete com a proposta de trocar as fitas por dinheiro. De acordo com Aguiar, a fita incriminaria quatro deputados estaduais cujos nomes não foram citados, além de um prefeito da região Norte do Estado.
Após telefonar para a polícia, o vereador concordou em trocar a fita pelos R$ 3 mil em frente a uma loja de R$ 1,99, no Bairro Xaxim. Um ''paco'' (pacote falso de notas recheado com papel) foi deixado em frente à loja, mas devido ao movimento no local a polícia não conseguiu abordar o suspeito.
No dia seguinte, Aguiar ligou novamente para Bernardi, reclamando da farsa e queixando-se da presença de policiais que ele teria reconhecido no local. Ele afirmou que trabalhou durante cinco anos para o deputado que seria o mandante do crime, e precisava do dinheiro para deixar Curitiba e voltar para a região norte do Estado para se proteger.
Aguiar se dispôs a marcar um novo encontro ontem, mas recusou-se a reproduzir parte da fita por telefone para garantir a veracidade das informações. Após receber um novo paco, o golpista ligou novamente para Bernardi, queixando-se da artimanha. Após a ligação, os policiais abordaram Aguiar, que foi levado para a Delegacia de Homicídios para ser ouvido.
Barbosa Neto acompanha as investigações à distância. Assustado com o ocorrido e afirmando que ainda está recebendo ameaças, o deputado londrinense deixou Curitiba com um segurança, sem informar seu local de destino. O deputado chegou a comprar um colete à prova de balas para sua proteção.
Outro deputado que está preocupado com sua segurança é Mauro Moraes (PSC). O carro oficial da Assembléia cedido ao deputado foi atingido por um tiro na noite de quinta-feira, no Bairro Portão.

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