A governadora foi um dos alvos do esquema, que consista em usar o WhatsApp para solicitar transferências bancárias a uma lista de contatos  dos criminosos
A governadora foi um dos alvos do esquema, que consista em usar o WhatsApp para solicitar transferências bancárias a uma lista de contatos dos criminosos | Foto: Saulo Ohara/29-06-2018


Curitiba – Quatro pessoas foram presas nessa terça-feira (17), em São Luís (MA), suspeitas de clonar os celulares da governadora do Paraná, Cida Borghetti (PP-PR), de deputados estaduais e federais do Estado e também de membros do primeiro escalão do governo Michel Temer (MDB-SP). A Operação "Swindle" foi deflagrada conjuntamente pela PC (Polícia Civil) e pela PF (Polícia Federal), com o objetivo de investigar fraudes cometidas por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

Conforme as corporações, as investigações começaram em março de 2018, quando ao menos 25 políticos fizeram denúncias correlacionadas. Entre eles estão os chefes da Casa Civil, Eliseu Padilha (MDB-RS), e da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), além do ex-ministro do Desenvolvimento Social e Agrário Osmar Terra (MDB-RS). O número da governadora chegou a ser clonado quatro vezes no mesmo mês.

O ex-líder do governo na AL (Assembleia Legislativa), Luiz Cláudio Romanelli (PSB), e os parlamentares Aliel Machado (PSB), Sandro Alex (PSD), Luciano Ducci (PSB) e Christiane Yared (PR), todos paranaenses, sofreram o mesmo golpe. O caso foi conduzido pela PC do Maranhão porque todas as contas são originárias daquele Estado. A súmula 48 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que a competência é firmada no local onde há a obtenção da vantagem ilícita.

UM FAVOR
Conforme o delegado adjunto da Delegacia de Estelionato de Curitiba, Rodrigo Souza, os suspeitos se passavam pelas autoridades, alegando que tinham seu limite de transferência bancário excedido, e solicitavam que a pessoa da lista de contatos fizesse uma transferência complementar para uma conta dada pelo falsário. Em alguns casos, os golpistas encaminhavam boletos a serem pagos pelas vítimas, que acreditavam estar fazendo um favor.

"A dinâmica era a seguinte: eles cancelavam o ‘sim card’ referente a esse agente politico e registravam num chip virgem. A partir da clonagem, colocavam num outro aparelho e tinham acesso a todos os contatos dessa pessoa. Com acesso aos contatos, adicionavam no Whats e pediam – ‘você tem como fazer o pagamento desse boleto ou depositar esse valor?’ Muita gente acreditou, pois era mensagem de um numero já cadastrado da governadora ou de um deputado", contou.

Ainda segundo Souza, o chefe da quadrilha adquiriu, somente neste ano, cerca de 80 chips, que foram adulterados. Preso em sua própria residência ontem, o homem foi o hacker que invadiu um grupo de conversa, descobriu o número das autoridades e efetuou as clonagens. Os agentes também apreenderam, nessa terça-feira (17), dois carros (uma BMW e uma Hilux SW4), cordões de ouro, relógios de marca, computadores e diversos celulares.

Em junho, uma mulher e um vendedor ambulante já tinham sido detidos, por participação no esquema. De acordo com a PF e a PC, a dupla emprestou contas bancárias para parte de depósitos. Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de invasão de dispositivo informático, estelionato e associação criminosa. "As investigações agora vão identificar se houve ou não a participação de funcionários [dos agentes políticos]", adiantou Souza.

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