Polícia prende doleiro Beto Youssef
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Lúcio Horta e Lino Ramos de Londrina 
A Polícia Civil de Londrina prendeu ontem de manhã o empresário Alberto Youssef, acusado de ser o responsável pela movimentação de R$ 120 mil da conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, em agência do Banestado. A conta foi aberta com documentos falsificados e foto de um laranja de Florestópolis, o lavrador José Aparecido dos Santos. Segundo apurou o Ministério Público (MP), os R$ 120 mil foram desviados do município em licitação fraudulenta realizada na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e vencida pela empresa Ecodata, de Curitiba.
A prisão preventiva de Beto Youssef, como o empresário é conhecido, e outras três pessoas, foi decretada anteontem à tarde pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, que recebeu denúncia criminal do MP. Até o início da noite estavam foragidos o servidor municipal João Edson Danzinger, o João Boquinha, além de Antonio Carlos Neri Romero, que seria segurança do empresário, e Eroni Miguel Peres, cunhado de Youssef. Eles teriam atuado diretamente na movimentação de contas fantasmas em agências do Banestado.
Também foram indiciadas pela Justiça mais seis pessoas, entre elas o superintendente regional do Banestado em Londrina, José Colette; a funcionária Maria Regina Fazan Bosqui, que seria gerente da conta da Freitas & Dutra; o gerente aposentado Wilson Maeda; e o ex-diretor de operações do banco, Gabriel Nunes Pires Neto. Todos são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsificação de documento público e lavagem de dinheiro. O MP ainda pediu a prisão de Arthur Ênnio Frederico Júnior que seria ex-funcionário da Banestado Corretora e sócio de Youssef mas a solicitação não foi acatada pelo juiz.
A prisão de Youssef foi feita às 10 horas pelo delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Vinícius Amaro. O empresário estava em sua empresa, a Youssef Câmbio e Turismo localizada na área central da cidade, e não ofereceu resistência. No final da manhã, ele foi transferido algemado para o 3º Distrito Policial, onde deverá permanecer durante a fase de instrução do processo.
A conta da Freitas & Dutra é apenas uma dentre 32 contas fantasmas abertas em agências do Banestado e que seriam movimentadas pelo empresário. Por essas contas passaram, apenas no período de maio de 98 a janeiro de 99, cerca de R$ 150 milhões. Documentos dos mesmos laranjas utilizados para abrir as 32 contas bancárias também foram utilizados na abertura de contas irregulares em outras cidades do Brasil o que indica um amplo esquema de lavagem de dinheiro.
A ramificação de contas fantasmas em Londrina é um absurdo. A cidade é ou foi um grande centro de lavagem de dinheiro, disse ontem o promotor Cláudio Esteves, um dos responsáveis pela investigação do chamado caso AMA-Comurb. Ele explicou que ação criminal que pediu a prisão de Youssef foi encaminhada para a Justiça Estadual porque o crime antecedente à lavagem de dinheiro foi peculato (delito praticado por funcionário público). Outras investigações envolvendo lavagem de dinheiro, como crime contra o sistema financeiro nacional, serão encaminhadas pela Justiça Federal.


