O investigador da Polícia Civil de Curitiba, Mauro Canuto Castillo de Souza Machado, foi preso ontem acusado de participar do incêndio criminoso contra a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), ocorrido no dia 29 de dezembro. Canuto seria um dos quatro envolvidos no incêndio e foi citado no relatório final da CPI Nacional do Narcotráfico por vários crimes. Além dele, o juiz da Central de Inquérito, Jocelito Giovani de Sé, autorizou a prisão temporária de outros suspeitos, que também seriam policiais.
No entanto, a Divisão de Narcóticos (que investiga o caso) e a promotoria não anteciparam os nomes dos outros acusados, para não atrapalhar as investigações e a captura. Até ontem à noite, os suspeitos não tinham sido presos.
De acordo com informações da PIC, Canuto foi reconhecido por testemunhas, que o viram no dia do incêndio. Os promotores informam que o policial atuou diretamente na queima dos arquivos da promotoria. O incêndio aconteceu de madrugada e destruiu mais de 90% dos arquivos em papel e equipamentos eletrônicos, entre eles depoimentos gravados em vídeo. O fogo atingiu também as salas onde os promotores trabalhavam.
No dia do atentado, o promotor da PIC, Dartagnan Abilhôa, associou o crime às investigações que apuram envolvimento de policiais com o crime organizado. Mauro Canuto foi citado no relatório final da CPI Nacional do Narcotráfico por envolvimento com o crime organizado, narcotráfico, roubo de carga, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
Na passagem da CPI pelo Paraná, em março do ano passado, foi pedida a prisão temporária do policial. Ele chegou a ser preso, mas foi solto por determinação da Justiça. Canuto foi apontado pelos deputados federais, junto com o policial Samir Skander, como um dos cabeças do tráfico de drogas em Curitiba.
Mauro Canuto foi preso ontem quando estava próximo a uma lanchonete em Curitiba. A PIC informou que o policial foi levado à Divisão de Narcóticos. No entanto, por volta das 20 horas, a Folha ligou para a delegacia e os policiais não confirmaram que o policial estava detido ali. O investigador foi encontrado com facilidade porque vinha sendo monitorado 24 horas por dia. Ontem, o delegado-chefe da divisão, Adauto de Oliveira, estava atrás dos outros suspeitos e pretendia prendê-los ainda durante a noite.
Os promotores da PIC informaram que a prisão de Canuto tem data marcada para terminar. O juiz Jocelito de Sé deu um prazo de cinco dias, prorrogável pelo mesmo período, nos quais a PIC teria tempo para produzir provas contra o investigador.
Entre as provas está o laudo técnico do Instituto de Criminalística do atentado contra o prédio da PIC (Promotoria de Investigações Criminais) em Curitiba. Ele deverá estar pronto no início da próxima semana. A informação é do diretor do Instituto de Criminalística, José Lourenço. A PIC, que ficava no Alto da Glória, está instalada provisoriamente na Rua Tibagi, na área central.
(Colaborou Maria Duarte)

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