Polícia pede prisão de candidato no Sul
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
A Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública pediu a prisão preventiva do candidato a prefeito de Fazenda Rio Grande, o empresário Antônio Wandscheer (PPS). Ele e mais quatro pessoas são acusadas de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e sonegação fiscal.
De acordo com o relatório com o pedido de prisão preventiva, datado de 5 de julho e assinado pelo delegado de polícia Vinícius José Borges Martins, o fato teria acontecido em março de 1992. Wandscheer, proprietário da empresa A.W. Empreendimentos Imobiliários, teria sido o mentor de uma transação imobiliária que teria dado lucro de cerca de 350% na venda de um imóvel.
O inquérito de número 080/92 traz a informação de que Pompeo Carvalho de Aguiar, Marisa Lilian Natal de Aguiar, Conrado Bonn Filho, Marilda Bonn e Gastão Natal teriam vendido uma área de 121 mil metros, sob matrícula de número 38.371, por um valor de 80 milhões de cruzeiros (moeda antiga) para o lavrador Luiz Gilberto Koerbes, do município de Mandirituba. Quatorze dias depois, o lavrador vendeu o mesmo imóvel para a Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) pelo valor de 363 milhões de cruzeiros.
A Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio Público começou a investigar o caso depois de denúncia feita por Oswaldo Curi, genro de Gastão Natal, um dos proprietários da terra. Gastão Natal havia vendido sua parte na área pouco antes da transação com os demais proprietários. Ele contou que o valor das terras não foi de 80 milhões de cruzeiros e, sim, de 150 milhões de cruzeiros.
Na denúncia, Curi apresentou cópias de recibo e sinal de negócio. O lavrador era apenas segunda a denúncia um laranja de Wandscheer. A confirmação da denúncia teria vindo com os depoimentos que seguem nos autos. Entre eles, o de Pompeo Carvalho de Aguiar, que afirmou ter mesmo vendido as terras por 150 milhões de cruzeiros para o empresário e a pedido do mesmo, o imóvel foi escriturado no nome do lavrador e por valor inferior.
Interrogado durante o inquérito, o empresário teria dito que o objetivo do ramo imobiliário é ganhar dinheiro e teria confessado usar o lavrador como laranja para adquirir as áreas de terras dos herdeiros de Hilda Natal. Diante das evidências das provas constantes no inquérito, o delegado pediu a prisão preventiva dele e dos herdeiros Pompeo Carvalho de Aguiar, Marisa Lilian Natal de Aguiar, Conrado Bonn Filho e Marilda Bonn. O caso será analisado pela Vara Criminal de Curitiba.
O deputado estadual Geraldo Cartário (PSL), candidato a vice-prefeito na chapa do empresário, disse ontem que o pedido de prisão preventiva é uma estratégia política para desestabilizar a campanha. Acho estranho o delegado pedir esta preventiva, depois de oito anos, justamente depois da convenção que definiu o Toninho como candidato em Fazenda Rio Grande. Para ele, a compra e venda do terreno foi uma transação comercial normal. Este é um inquérito policial politiqueiro, acredita.


