Polícia ouve testemunhas de assassinato em comício
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terça-feira, 26 de setembro de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
O delegado do 3º Distrito Policial (DP) de Londrina, Valdir Abrahão da Silva, pretende ouvir hoje novas testemunhas do assassinato do servente de pedreiro Davi Henrique Pontes, de 21 anos, ocorrido na sexta-feira durante comício no assentamento Maracanã (zona oeste). Anteontem, o também servente de pedreiro Adriano de Souza Luz, de 20 anos, confessou ter assassinado Pontes. Ele se apresentou à Polícia acompanhado do advogado Vítor Pereira da Silva e, segundo o delegado, alegou, no depoimento, ter agido em legítima defesa.
De acordo com o delegado, Luz declarou que estava em sua casa, no assentamento, quando seu primo, que é menor de idade, apareceu com um ferimento no rosto provocado por Leissi Pontes, irmão de Davi. Ele contou que foi tirar satisfação com Leissi quando surgiu Davi e fez menção de sacar uma arma. O acusado disse que tirou o revólver e deu um tiro no chão, quando outro irmão da vítima teria lhe dado uma rasteira. Ao cair, a arma teria disparado. Disse ainda ter sido agredido por mais quatro irmãos da vítima e que o tiro foi acidental.
O delegado, porém, diz que ele não apresentava escoriações e que a versão é contraditória em relação a uma das testemunhas já ouvidas no inquérito. A testemunha cuja identidade não foi revelada alegou que Luz partiu para cima de Pontes e atirou. O servente de pedreiro teria tentado desviar do tiro, virando-se de costas, quando teria sido atingido no tórax. Outro tiro disparado teria acertado na nuca.
Silva apurou que as famílias, tanto do acusado como da vítima, tinham uma rixa que havia começado há 45 dias, num parque de diversões. Ele não soube dar detalhes, mas pretende colher novos depoimentos entre hoje e sexta-feira. Até o final da semana, o Instituto Médico-Legal (IML) deve encaminhar o laudo sobre a morte ao delegado do 3º DP. Ontem, o IML antecipou à Folha que apenas um tiro no tórax atingiu o servente de pedreiro.
Depois do depoimento, Luz foi liberado e responderá ao inquérito em liberdade. Segundo a Polícia, tanto o acusado como a vítima não tinham antecedentes criminais. O assassinato ocorreu durante comício da candidata do PSB à Câmara de Vereadores Sandra Graça, por volta das 20h30. Sandra é ex-chefe de gabinete do prefeito cassado e afastado Antonio Belinati (PFL). Segundo moradores do assentamento, o comício já havia começado, mas a candidata ainda não havia chegado ao local. Avisada do crime, não apareceu.


