A Polícia Federal (PF) em Londrina encaminhará à Justiça Eleitoral a coleta de provas e depopimentos do inquérito que apura indício de compra de voto e de infração administrativa de caráter trabalhista contra a coligação Paraná Forte (PMDB-PSC), do candidato à reeleição Roberto Requião (PMDB). Esta semana, foram tomados os depoimentos de cinco coordenadores locais da campanha pelas investigações instauradas no último dia 21, a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE).
O ofício do MPE foi remetido à PF no dia 16 deste mês pelo promotor eleitoral Sérgio Siqueira, que pediu investigações sobre depoimentos de cabos eleitorais ''prepostos para obter e dar votos'', mediante remuneração mensal de R$ 440. Entretanto, as pessoas supostamente contratadas para o serviço, além de não registradas, não teriam recebido pela tarefa.
De acordo com o promotor, pelo menos 80 pessoas o teriam procurado relatando a situação. Além de eventual infração trabalhista - o que está sob análise da Procuradoria Regional do Trabalho -, Siqueira explicou que as denúncias apresentaram indícios de aliciamento. ''Isso porque houve a promessa de dinheiro a esses supostos cabos eleitorais. Disseram que foram contratados para procurar outros cabos eleitorais, e, assim, colocar um cartaz do candidato Requião na casa deles para comprovar que tinham sido 'convertidos'. partir daí, receberiam o combinado'', comentou o promotor, conforme o qual algumas dessas pessoas teriam incusive se disponibilizado a ter o sigilo telefônico quebrado.
O delegado que preside as investigações, Kandy Takahashi, informou que vai juntar os depoimentos dos cinco coordenadores aos de nove cabos eleitorais que já depuseram semana passada. Conforme o delegado, os primeiros negaram sequer conhecer as pessoas que dizem ter sido contratadas. Mesmo assim, Takahashi disse ter chamado a atenção da PF a pouca quantidade de material de campanha (jornais e adesivos) apreendida, entregue pelos denunciantes.
''Ninguém dos supostos cabos eleitorais falou em compra de voto, mas todos narraram ter participado de reuniões, em determinados dias, e ter sido procurados por algumas pessoas da coordenação. É uma espécie de prova testemunhal'', declarou o delegado, para completar: ''Interessante é que eles não distribuíram muito material, porque não tinham. E cabo eleitoral teria de distribuir isso, não?'', questionou.
As oitivas seguem agora para apreciação da Justiça Eleitoral, que as remete novamente ao MPE - o qual arquiva ou não o caso.
A Folha contactou ontem à noite um dos advogados da coligação Paraná Forte em Londrina, Domingos Perfeto, mas ele alegou que estava em uma reunião e, por isso, não poderia atender a reportagem. Resumiu apenas que ''as denúncias não têm fundamento''.

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