A Polícia Civil não conseguiu encontrar provas para manter presos o policial civil Mauro Canuto e o sargento Ademir Leite Cavalcante. Os dois são acusados de participação no atentado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em Curitiba, e deveriam ter sido soltos à meia-noite de ontem, quando venceu o prazo de prisão temporária. O incêndio que destruiu 90% dos arquivos da PIC aconteceu na madrugada do dia 29 de dezembro. Leite e Canuto negam qualquer envolvimento no caso. O único acusado que vai continuar preso é o policial civil Edson Clementino da Silva, o ‘‘Lambe-Lambe’’.
O técnico em eletrônica Sérgio Rodrigues de Oliveira chegou a ser relacionado pela polícia entre os suspeitos, mas foi autuado em flagrante por escuta telefônica ilegal e porte de documentos falsos. Gravadores e fios de telefone foram localizados na casa dele quando houve a prisão. O segundo tenente Alberto Silva Santos, também acusado de participar do atentado, continua foragido.
Ontem de manhã, um cabo da Polícia Militar prestou depoimento na PIC. O cabo, cujo nome não foi divulgado, disse que Cavalcante, numa conversa informal, confessou que havia participado do atentado. O delegado-chefe da Divisão de Narcóticos (Dinarc), Adauto Abreu de Oliveira, disse que vai intimar o cabo para prestar depoimento no inquérito que investiga o caso. ‘‘Quero saber se não existe nenhuma inimizade entre os dois’’, disse.
Se for preciso, Adauto disse que vai fazer uma acareação entre o sargento e o cabo. Outros dois soldados também devem ser chamados para prestar depoimento por sustentar a mesma versão. Eles deveriam ter sido ouvidos ontem, mas isso só deve ocorrer nos próximos dias.
Ontem, o delegado não forneceu mais detalhes sobre o mandante do atentado. O nome dele vem sendo mantido sob sigilo. Anteontem, ele informou que ainda não tinha provas para pedir a prisão do acusado de ter planejado o incêndio. Mas confirmou que o suspeito foi citado na CPI Nacional do Narcotráfico, durante a passagem da comissão por Curitiba, há 11 meses.
O incêndio na PIC destruiu provas contra o crime organizado no Estado. Os promotores que cuidam das investigações, porém, informaram que as provas mais importantes foram poupadas porque há cópias guardadas em locais seguros. Depois do atentado, o procurador-geral de Justiça do Estado, Marco Antônio Teixeira, cobrou do governo do Estado segurança redobrada nos prédios das PICs em Curitiba, Londrina e Maringá. Nesses dois últimos municípios, os promotores investigam uma rede de corrupção que se instalou nas prefeituras e provocou enormes rombos nos cofres públicos.
Em Londrina, por exemplo, o MP constatou desvios de R$ 16 milhões, mas eles podem chegar a R$ 200 milhões. Em Maringá, uma ação de improbidade administrativa cobra do ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi e do ex-prefeito Jairo Gianoto o ressarcimento de R$ 3,1 milhões desviados dos cofres públicos. Mas o rombo pode ser de R$ 100 milhões.

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