A Polícia Civil de Cascavel está dando novo direcionamento às investigações sobre o tiroteio ocorrido no comício do candidato a prefeito Edgar Bueno (PDT), no dia 25 de agosto. Durante o comício, Wilson Betim do Prado, de 37 anos, foi baleado. Ele é assessor do vereador Leonaldo Paranhos (PMDB), candidato a vice-prefeito de Bueno. Wilson foi atingido com um tiro de revólver no peito durante o comício e as investigações consideravam a hipótese do tiro ter sido desferido por um menor.
Mas a investigação está tomando um novo rumo porque o assessor repetiu à Polícia o que havia dito com exclusividade à Folha, após deixar o hospital: ele está convencido de que quem desferiu o tiro não foi um menor, ‘‘mas uma pessoa forte, tipicamente um adulto’’. R.V.O, 17 anos, foi apresentado à Polícia como autor assumido do disparo, mas está em liberdade porque não foi apreendido em flagrante.
Membros da coligação ‘‘Paz e Progresso’’, de Bueno, especulam que o menor poderia ser um ‘‘laranja’’ - assumindo a culpa com a perspectiva de receber pena leve. Deverci de Carvalho, 32 anos, foragido da Polícia, condenado por homicídio, chegou a ser preso como autor do tiro que atingiu o assessor, transfixiando seu tórax, mas negou. Ele continua preso por causa de condenação anterior.
Segundo Wilson do Prado, no comício havia um grupo de pessoas suspeitas, usando jaquetas, embora a noite fosse de calor, e algumas dispararam revólveres. Ele está convencido de que o grupo ‘‘tentava criar confusão’’ e contou à Polícia ter visto (imediatamente após ser atingido) um homem embarcar na garupa de uma motocicleta que encostou e fugiu em alta velocidade. Mas ele não tem certeza se quem fugiu foi a pessoa que lhe baleou.
O delegado Haroldo Davison, chefe da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, havia dito que ‘‘o caso se encaminhava para conclusão, depois que o menor assumiu a autoria’’. Mas admitiu que o depoimento de Wilson ‘‘muda tudo’’. Apesar da declaração, ele classifica o depoimento do assessor de ‘‘confuso e fértil’’.
Além disso, o delegado argumenta que o menor ‘‘não teria motivos para assumir a culpa, com as consequências decorrentes’’, mas reconhece que devem ser consideradas as afirmações da vítima do disparo.
Membros da coligação de Bueno especulam que Haroldo Davison tenha sido nomeado para a chefia da 15ª SDP por ‘‘ingerência’’ do outro candidato a prefeito, Tiago Novaes (PTB), que também é deputado estadual. O próprio Davison fez ligação entre episódio do tiro e a disputa eleitoral.
O delegado observa que o menor que assumiu a autoria do tiro foi apresentado à Polícia por um advogado ‘‘que é filho do coordenador da coligação (Paz e Progresso)’’ e por isso diz ‘‘estranhar’’ a versão de Wilson Betim do Prado. O advogado é Paulo Bond Reis, filho do também advogado Airton Reis, filiado ao PMDB. ‘‘Meu pai não coordena nada e não está na campanha’’, afirma Paulo, acrescentando que apresentou o menor porque foi procurado para isso, e o fez ‘‘como advogado que atua no setor criminal’’.

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