Belo Horizonte
O comando da Polícia Militar de Minas divulgou ontem uma relação de 826 praças punidos ou indiciados em inquéritos internos por terem participado do movimento grevista da categoria, em junho deste ano e que culminou na morte do cabo Valério dos Santos, baleado em frente à sede da corporação, na Zona Sul de Belo Horizonte. Dezoito policiais apontados como líderes do movimento - entre eles o cabo Júlio César Gomes e o 2º sargento Washington Rodrigues, do Batalhão de Choque - foram expulsos da PM. Outros 538 cumprirão prisões temporárias e o restante poderá ser submetido a outras medidas disciplinares e até penais. Os praças excluídos temem que as punições provoquem um novo levante nos quartéis mineiros.
‘‘Esta atitude do alto comando pode criar uma grande revolta entre os policiais’’, disse o cabo Júlio César, pastor evangélico e eleito pelos colegas, durante a greve, como principal negociador junto ao governo estadual. ‘‘Não há dúvida de que isso foi uma retaliação e não sei como a tropa vai se comportar’’, acrescentou o 2º sargento Rodrigues. As punições foram assinadas, anteontem (11), pelo ex-comandante-geral e pelo ex-chefe do Estado Maior da PM de Minas, coronéis Antônio Carlos dos Santos e Osvaldo Miranda. Isso aconteceu no dia em que os dois passaram os cargos a seus substitutos, nomeados pelo governador Eduardo Azeredo (PSDB) - os coronéis Mário Porto e Henrique Eloy. A troca foi bem recebida pelas bases da corporação.
O assessor de imprensa da PM, major Romulo Berbert, negou que as punições e exclusões tenham sido uma forma de retaliação aos grevistas. Segundo Berbert, os procedimentos adotados em relação aos manifestantes estavam previstos no estatuto interno da corporação, conhecido por todos os policiais. ‘‘Tudo foi feito dentro de um ordenamento legal’’, afirmou. A greve da PM mineira, que também contou com a participação de policiais civis, teve dois motivos. O primeiro foi um reajuste salarial escalonado de até 20% concedido por decreto, pelo governador Azeredo, apenas aos oficiais da corporação, enquanto os praças ganhavam, em média, R$ 400,00. O outro foi o rigoroso regimento interno da corporação, que obrigava, por exemplo, um soldado a pagar para poder pedir baixa.

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