São Paulo - O delegado titular de Monte Sião (MG), Artur Augusto Ribeiro da Silva, informou ontem que a polícia de Minas Gerais localizou uma testemunha que teria informações sobre o sequestro e morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT). A testemunha, o vendedor Fabio Bernardes Vianna, 29 anos, foi detido na madrugada de terça-feira, embriagado, por gritar na porta da delegacia de Monte Sião que sabia quem eram os responsáveis pelo crime.
Na ocasião, Bernardes foi apenas ouvido por um escrivão, liberado e chamado para prestar novo depoimento ontem. De acordo com o delegado, o vendedor contou ontem que quatro amigos teriam planejado o sequestro. Os apelidos dos suspeitos são ‘‘Batata’’, ‘‘Tição’’, ‘‘Caroço’’ e ‘‘Bin Laden’’ – todos ‘‘criminosos conhecidos’’ da Polícia Militar de São Paulo.
As favelas Tamaratuca e Sacadura Cabral, em Santo André, seriam locais de onde seriam os supostos criminosos. Por causa das declarações de Bernardes, as polícias Civil e Militar da região do ABC paulista fizeram ontem pela manhã blitze nas duas favelas, mas nada foi encontrado.
Bernardes disse ter morado numa favela em Santo André, onde conheceu vários bandidos, entre eles, ladrões de carro e sequestradores. A suposta testemunha afirmou que no fim do ano passado foi àquele município para visitar parentes e que participou de um churrasco, onde ouviu comentários sobre o sequestro.
Segundo o delegado Fabio Oliveira, da seccional, Bernardes se contradisse inúmeras vezes durante o depoimento. ‘‘Acreditamos em menos de 50% do que ele está falando.’’ Para o delegado, o vendedor seria um ‘‘caçador de recompensa’’, interessado nos R$ 50 mil oferecidos pelo governo de São Paulo a quem desse informações que levassem aos autores do crime.
Também ontem, no final da tarde, uma equipe de agentes da Polícia Federal em São Paulo realizou uma busca na casa de Celso Daniel para procurar elementos e evidências materiais que pudessem ajudar a esclarecer a morte do petista. Segundo a PF, que abriu inquérito na última terça-feira para apurar se houve motivação política no crime, o procedimento é padrão. A polícia não divulgou se foi encontrada alguma pista na casa do prefeito.
Outra equipe de policiais federais deslocou-se até Miracatu, no Vale do Ribeira (SP), a 60 quilômetros do local onde o corpo do prefeito foi encontrado. Os agentes estavam atrás de uma denúncia anônima segundo a qual Daniel teria sido mantido em cativeiro, numa casa de Miracatu.
O empresário Sergio Gomes da Silva, que estava com Daniel na hora em que o prefeito foi levado pelos sequestradores, concedeu ontem a primeira entrevista desde o crime. Ele reafirmou que sua Pajero destravou as portas no momento em que foi abordada pelos sequestradores – versão questionada pela perícia técnica. ‘‘Não sou técnico, não sou mecânico nem especialista’’, disse. ‘‘Só sei que na hora que o carro deles me barrou e eu parei, as travas se abriram. Depois, travou (não conseguiu mais fechá-las).’’

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