Polícia investiga suspeitos de matar deputado
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2001
Gilmar Agassi<br>De Cascavel 
A Polícia Civil do Paraná tem dois suspeitos de matar anteontem à noite, em Cascavel, o deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), 33 anos. Os nomes dos suspeitos estão sendo mantidos sob sigilo. Um deles foi internado em estado grave no Hospital Universitário, após tentar furar um bloqueio policial logo após o crime. O deputado foi assassinado com cinco tiros à queima-roupa, anteontem, por volta das 21h15 em frente ao prédio onde morava, na Rua Mato Grosso, no centro de Cascavel. Seu corpo foi sepultado no final da tarde de ontem em Assis Chateubriand (80 km ao norte de Cascavel).
A polícia também está investigando a vida particular do proprietário de uma motocileta, que, segundo denúncia anônima, teria sido utilizada pelo autor dos disparos contra o deputado. O dono do veículo seria um mototaxista. Assessores próximos do deputado confirmaram que nos últimos meses Amorim vinha recebendo uma série de ameaças de morte.
Tiago Amorim era radialista e apresentador de programas policiais na televisão. Conhecido pelo seu estilo polêmico, Amorim fazia denúncias sobre ação de criminosos que atuavam na região oeste do Paraná. Nas últimas eleições, ele concorreu à Prefeitura de Cascavel e perdeu para o atual prefeito Edgar Bueno (PDT).
Ermelindo Martins de Souza, porteiro do Edifício Ille de France, onde morava o deputado, presenciou o crime. Ele contou que Amorim chegou uma hora antes do crime, subiu ao apartamento e desceu em seguida para apanhar correspondência na portaria. Ao caminhar em direção ao carro, estacionado em frente ao prédio, Amorim foi abordado por uma pessoa que estava em uma moto CG 125 cilindradas, cor escura, vestindo blusa cinza e calça jeans.
Ainda de acordo com o porteiro, antes de entrar em seu veículo, um Vectra (placa AJK-1026), o deputado foi atingido pelos disparos de uma pistola calibre 9 mm. Souza disse que a ação foi muito rápida. ''O assassino apareceu ao lado do carro e nem sequer parou a moto para disparar os tiros certeiros'', contou o porteiro. Os projéteis, em sua maioria, acertaram a região torácica de Amorim, que ainda tentou pegar uma arma guardada no veículo, mas não conseguiu reagir.
O cunhado da vítima, Écio Vergínio, foi um dos primeiros a chegar ao local do crime. Ele contou que o deputado estadual estava saindo de viagem a Tupãssi (45 km ao norte de Cascavel), onde participaria de uma formatura. Algo que chamou a atenção foi o fato de o deputado estar sem a equipe de seguranças que lhe acompanhava em todos momentos.
Em poucos minutos, a notícia da morte de Tiago Amorim se espalhou por Cascavel e pelo Paraná. Muitas pessoas se encaminharam para o local do crime na tentativa de buscar informações sobre a morte do deputado. Logo que foi informado do homicídio, o comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Antônio Amauri de Lima Ferreira, mandou cercar todas saídas da cidade na tentativa de capturar o assassino.
O corpo do deputado foi liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML) por volta das 4 horas da manhã e levado ao ginásio de esportes Sérgio Mauro Festugato, em Cascavel, onde foi velado até as 16 horas de ontem. Durante todo o dia, milhares de pessoas compareceram ao velório, incluindo vários políticos. Entre eles, a vice-governadora Emília Belinati (PFL) e o presidente da Assembléia Legislativa Hermas Brandão (PSDB).
O suplente de Amorim na Assembléia Legislativa, Fernando Guimarães (PSC), tomou posse ainda ontem, às 16 horas. A solenidade foi no gabinete de Hermas Brandão.


