Polícia investiga suposto atentado
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domingo, 15 de maio de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os peritos do Instituto de Criminalística de Curitiba deverão terminar hoje o retrato falado do autor do suposto atentado contra um integrante da Central de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Cisesp). O atentado foi divulgado pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que acusou policiais civis e militares ligados ao grupo do tenente-coronel Valdir Copetti Neves de terem sido os autores. O fato teria ocorrido no último dia 27 de abril.
O policial, cuja identidade está sendo mantida sob sigilo, teria mudado de veículo para evitar reconhecimento por parte de criminosos que estariam ameaçando os integrantes da Cisesp desde a prisão de Neves (no dia 5 de abril). Ele teria saído com a viatura descaracterizada usada pelo coordenador da Cisesp, delegado Harry Herbert, citado por Neves como sendo um de seus inimigos políticos durante depoimento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os conflitos agrários (CPMI da Terra). Um Passat, cor prata, teria sido usado para assustar o motorista da viatura, que teria conseguido desviar o carro para evitar uma colisão.
O policial já foi ouvido pela Delegacia de Homicídios para auxiliar no retrato falado. Um guardião da Cisesp, que teria visto o mesmo carro na frente da instituição com uma pessoa tirando fotografias, também prestou depoimento. O delegado titular da Homicídios, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, trabalha com a hipótese de um delito de trânsito (manobra de direção perigosa, seguida de ameaça). Entretanto, não descarta a possibilidade de um atentado. ''Não podemos afirmar que foi um atentado antes de investigarmos profundamente o caso. O fato de ter se cometido uma ameaça contra uma viatura policial é preocupante. Mas não dá para dizer ao certo o que aconteceu, até que se possa esclarecer o caso'', pontuou ele, que aguarda o retrato-falado para hoje.
Cartaxo se mostrou preocupado com o delito praticado. Pelo que tudo indica, segundo o delegado, existe um problema latente entre policiais. ''Vamos ter que ver o retrato falado e buscar um reconhecimento dentro das próprias instituições policiais. Parece que esse delito foi cometido numa guerra de polícia contra polícia. E é isso que temos que esclarecer e investigar'', acrescentou.


