A Polícia Federal está na pista dos colaboradores do juiz Nicolau dos Santos Neto. Essas pessoas o ajudaram na clandestinidade. São supostos empresários, fazendeiros e até ex-policiais e arapongas que teriam montado um esquema para facilitar a fuga do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho desde que sua prisão foi decretada, em 25 de abril. A equipe de buscas e operações que tinha a missão de localizar Nicolau está investigando a ‘‘rede de proteção’’ da qual ele fez uso para manter-se em segurança. ‘‘Vamos identificar essa gente’’, afirma o delegado José Pinto de Luna, comandante da Operação Moréia.
O crime cometido pelos amigos de Nicolau é definido legalmente como ‘‘favorecimento real ’’ ou ‘‘favorecimento pessoal ’’. Os federais sustentam que esses amigos começaram a abandonar o magistrado à medida que o cerco a ele se fechava. A versão do acusado sobre o lugar onde ficou esse tempo todo foi recebida com reservas.
Nicolau disse que permaneceu escondido no Sul do País. Os policiais dizem ter certeza de que ele foi para o exterior um indício é a compra de duas passagens aéreas feita em julho por Nicolau em Miami. Esteve no Uruguai. Também passou por outras regiões em São Paulo e Minas. É o que revela o monitoramento que a PF fez de alguns contatos do juiz.
O juiz deverá ser interrogado pela Justiça Federal ainda esta semana. O juiz Casem Mazloum, que conduz os processos criminais abertos contra ele, poderá tomar o depoimento no prédio da Custódia da PF por questões de segurança. Mazloum não quer provocar ‘‘uma comoção’’ à porta do fórum que possa colocar em risco a integridade do prisioneiro.
O juiz Mazloum quer ouvir o réu sobre a licitação do Fórum Trabalhista. O Ministério Público Federal acusa Nicolau de ter forjado o processo de concorrência para contratar a Incal Incorporações.

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