Curitiba - A Polícia Civil solicitou à Prefeitura de Curitiba um levantamento completo de todos os processos que tramitaram no setor de protocolo da administração nos últimos três anos. O objetivo é rastrear processos que apresentaram problemas e que possam estar ligados a um esquema de corrupção na prefeitura criado para facilitar a concessão de alvarás de funcionamento a terceiros. Três funcionários da prefeitura já foram afastados por participarem do esquema.
Segundo o delegado Guaracy Joarez de Abreu, titular da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, o levantamento deve apontar o modo de operação do esquema. ‘‘Vamos tentar achar um ponto em comum, e queremos descobrir quem foi beneficiado com a concessão dos alvarás’’, explicou em entrevista à Folha. Segundo Abreu, cerca de 15 pessoas já prestaram depoimento sobre o caso desde sexta-feira passada.
O delegado não descarta a possibilidade de que funcionários de outras secretarias também possam estar envolvidos no esquema. ‘‘Não temos dados técnicos que confirmem isso. Mas, pela estrutura da administração pública, você pode conseguir alguma coisa sozinho até certo ponto. Para progredir, é necessário a conivência ou omissão de outra esfera. Talvez, as investigações levem a isso’’, afirmou.
Além da investigação da Polícia Civil, a Procuradoria Geral do município também instaurou um procedimento administrativo para apurar as irregularidades. ‘‘Estamos trocando constantemente informações com a prefeitura, para que eles também possam tomar as medidas cabíveis’’, comentou Abreu. Alguns dos funcionários citados nos depoimentos como integrantes do esquema estão entrando em licença, ou temporariamente afastados das funções.
O esquema de pagamento de propinas foi denunciado por um ex-funcionário do setor de protocolo, Orlando Andrade Júnior. Segundo ele, servidores municipais cobravam até R$ 30 mil para facilitar a concessão de alvarás de funcionamento de estabelecimentos como postos de gasolina.

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