Polícia investiga ex-prefeito
Patrícia Zanin
O delegado regional de Porecatu, Márcio Vinícius Ferreira Amaro, espera concluir até o final da semana o inquérito policial instaurado a pedido do Ministério Público do Paraná para investigar denúncias de irregularidades supostamente cometidas pelo ex-prefeito de Florestópolis, Márcio Francisco de Souza (PFL).
O inquérito foi instaurado em março. O procurador de Justiça, Munir Gazal, pediu detalhes de dez itens relacionados à administração do ex-prefeito. Entre eles, cópias de processos licitatórios de 1996, documentos sobre a compra de combustíveis e da frota de veículos da prefeitura durante a gestão do ex-prefeito (1993-1996), contratos sociais, pagamento de vales e cheques emitidos, além de cópias da prestação de contas de sua administração.
Além do ex-prefeito, o delegado ouviu 18 pessoas entre ex-secretários e servidores. Amaro disse não ter constatado até agora apropriação indevida de verba pública. Segundo ele, o inquérito aponta irregularidades técnicas no gerenciamento de recursos públicos como empréstimo para pagamento de pessoal feito em nome de terceiros. ‘‘Mas o processo é muito amplo e envolve três volumes de documentos. Depende de apuração minuciosa pelo Ministério Público’’, declarou.
As denúncias de irregularidades contra Márcio de Souza foram feitas pelo atual prefeito, Nelson Gonçalves Correa (PL), que contratou uma auditoria para um levantamento nas contas do município. A auditoria acusou o desvio de R$ 800 mil dos cofres públicos, que teria ocorrido através da emissão de notas sem empenho. A auditoria apontou ainda débito de R$ 619 mil com funcionalismo e fornecedores.
Quando a auditoria foi feita, em junho do ano passado, Márcio de Souza negou as irregularidades e atribuiu o levantamento a ‘‘revanchismo político’’. Na ocasião, ele admitiu que podia ter recebido cheques da prefeitura porque fazia dívidas em seu nome e em nome de terceiros e quando entrava dinheiro em caixa, saldava o débito. ‘‘Se eu tivesse embolsado, eu não tava falido como estou’’, declarou, na ocasião. Ontem e anteontem, ele foi procurado várias vezes pela Folha, mas não foi localizado.

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