Polícia investiga escândalo sexual em Porecatu
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quarta-feira, 16 de março de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Polícia Civil de Porecatu (85 km ao norte de Londrina) abriu inquérito para apurar uma denúncia de crime de corrupção de menores com possibilidade de abuso sexual. Entre os suspeitos, há desde policiais até vereadores, oficiais de justiça, empresários e outras pessoas consideradas influentes no município de aproximadamente 10 mil habitantes.
O delegado que preside as investigações, Aparecido Antonio Gregório, explicou em entrevista à Folha ontem à tarde, em Londrina, que a denúncia levada por um membro do Conselho Tutelar de Porecatu relatava uma festa da qual sete adolescentes duas maiores, as demais com 13 e 14 anos teriam se envolvido sexualmente com cerca de oito proprietários de um rancho, localizado na Zona Rural da cidade. Segundo Gregório, ele aguarda para ainda esta semana os laudos dos exames de corpo de delito e conjunção carnal realizados em duas vítimas de 13 anos, no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina.
''Já ouvimos ontem (terça-feira) algumas pessoas, amanhã (hoje) haverá nova rodada de depoimentos'', disse o delegado, conforme o qual nem todos os 14 proprietários do rancho parecem estar relacionados com a denúncia. ''São oito ou nove os envolvidos, mas alguns, como o policial, dizem ter saído do local antes de tudo acontecer'', declarou Gregório. Ele se refere ao churrasco organizado na propriedade em questão, à tarde, no dia dos fatos semana passada , horas antes da suposta orgia ocorrida à noite.
De acordo com o policial, até agora não há uma conclusão encaminhada sobre a denúncia, uma vez que nem os laudos nem os depoimentos das adolescentes permitem que ela seja possível. Aqui, diz Gregório, o problema é que cada uma das meninas fala uma coisa diferente. ''Uma disse que tinha bebida no meio, outra que não'', citou, salientando que essa é primeira denúncia do tipo que ele recebe em Porecatu. O ponto comum no inquérito até agora, mesmo, somente as negativas dos suspeitos. ''Eles negam tudo''. Já as vítimas, complementou, não são moradoras de rua. ''Todas vivem com suas famílias'', afirmou. O delegado não cita nenhum nome do caso porque o advogado de uma das vítimas teria pedido segredo de Justiça, acatado por ele no início desta semana.
No Conselho Tutelar de Porecatu, ninguém quis falar sobre o caso. A promotora substituta da Vara de Infância e Juventude, Michele Nader, declarou que o Ministério Público (MP) só vai se manifestar caso solicitado emergencialmente pela Polícia Civil, ou após a conclusão do inquérito. ''Até ouvimos falar desse caso, mas, formalmente, não recebemos nada até o presente momento'', disse a promotora.


