Polícia investiga empresa de deputado
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quarta-feira, 02 de setembro de 1998
Patrícia Zanin 
O deputado estadual Durval Amaral (PFL), candidato à reeleição, disse ontem à Folha ter estranhado a existência de um inquérito instaurado pela Polícia Federal de Londrina para apurar denúncias de irregularidades supostamente causadas pela empresa de sua família, Agropecuária Oásis Ltda, de Cambé (13 km a oeste de Londrina). A empresa é acusada de ter dado um prejuízo de R$ 2,3 milhões ao Banestado. O 4º Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre, autorizou a quebra do sigilo bancário da empresa, que, segundo o deputado, foi fechada em 1995 por causa da crise financeira.
Não tinha conhecimento de nenhum inquérito. Tive dívidas com o Banestado, mas saldei todas, afirmou Amaral, que acredita em retaliação política à sua campanha. Por que esse inquérito agora, às vésperas da campanha?, questiona. Ele afirmou que não existiu rombo e que não faz sentido escrachar alguém que honrou seus compromissos. O banco tem inúmeros devedores, inclusive alguns candidatos. Quem deve é poupado e quem paga é prejudicado?, perguntou.
De acordo com o delegado da PF que preside o inquérito, João Luiz do Prado, a investigação recai sobre os financiamentos da empresa junto ao Banestado. Vamos avaliar se existiram ou não fraudes, disse o delegado, que não quis dar mais detalhes sobre o caso. O delegado-chefe da PF, Roberto José Morel, disse que a abertura do inquérito se baseou em uma auditoria feita pelo Banestado apontando o prejuízo dado pela empresa ao banco. Segundo ele, a principal irregularidade seria a emissão de duplicatas fantasmas descontadas pelo banco.
No ano passado, o candidato ao governo do Estado pelo PMDB, senador Roberto Requião acusou Amaral de ter se beneficiado com um perdão financeiro de R$ 1,7 milhão do Banestado, atribuindo a transação à mudança de sigla do deputado.
Em junho, o deputado deixou o PMDB depois de 20 anos filiado ao partido, que lhe confiou uma secretaria de Estado (do Trabalho) durante o governo Requião. Sua saída foi causada pela recusa em assinar projeto de resolução defendido pelo PMDB para instalar uma CPI das montadoras. Em agosto, o deputado assinou sua ficha de filiação no PFL. Minha dívida com o Banestado foi quitada bem antes, em janeiro do ano passado, e não tem nada a ver com mudança de partido, assegurou.
Segundo ele, a quitação de seu débito de R$ 700 mil foi feita em juízo. Foi um acordo judicial por escritura pública já que não tenho nada a esconder, argumentou. Amaral alegou ainda que questionou a dívida com o banco e contratou uma auditoria para verificar o assunto. O Banco também contratou uma auditoria e chegou à conclusão que era melhor fazer uma composição, afirmou.
Para Amaral, o inquérito tenta denegrir sua imagem. Meu eleitor sabe da seriedade e da honestidade que me conduzo na vida pública, mas isso acaba sendo explorado pelos adversários, reclamou. Ele diz não ter preocupação com os resultados da investigação. Não devo nada e por isso não tenho de me preocupar. Mas querem plantar um carimbo na minha testa, reclamou.
Além do inquérito para apurar irregularidades na Agropecuária Oásis Ltda., a PF já instaurou outros oito inquéritos para investigar denúncias de corrupção que teriam ocorrido em agências do Banestado de Cambé e Londrina em 1995. (Colaborou Paulo Ubiratan)


