Belém - A Polícia Civil do Pará vai investigar se existe ligação dos quatro homens presos ontem em Altamira (740 km de Belém) com o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), no dia 20. Eles foram detidos durante uma blitz na rodovia Transamazônica e negaram a participação no crime.
Cícero Antônio de Lima, 27, e Ricardo dos Santos, 28, são de São Bernardo do Campo; Eumar Alves Rodrigues, 32, é de São Mateus (ES) e Haronildo Nascimento de Souza, 23, de Pacajá (PA).
A foto dos quatro deve ser enviada para São Paulo para que o empresário Sérgio Gomes da Silva –que acompanhava o prefeito no momento do sequestro– identifique ou não os quatro suspeitos.
Três deles têm passagem pela polícia. Lima portava ontem dois cigarros de maconha e foi indiciado por porte de drogas. Segundo o delegado de Altamira, Carlito Martinez, Cícero já esteve preso no Presídio de Santo André.
Santos tem passagem pela polícia por assalto e esteve preso na Casa de Detenção de São Paulo. Souza também já foi presidiário no Pará, segundo a polícia. Eles declaram em depoimento à polícia que viajavam de São Paulo para o município de Pacajá para participar de um casamento de um amigo na cidade. Os quatro estavam em um carro Gol branco. A polícia não encontrou armas nem dinheiro.
Os quatro suspeitos também passarão por reconhecimento do militar da reserva ‘‘L.A.C.A.’’, que, em depoimento na ONG Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, em Marabá (PA), afirmou ter presenciado a conversa de quatro supostos sequestradores do prefeito no dia 19 de janeiro, enquanto tomava banho na rodoviária de Goiânia (GO).
O militar declarou que os quatro rapazes, aparentando entre 20 e 25 anos, conversavam em código entre si que ‘‘a missão foi um sucesso’’ e o ‘‘santo e o André já se encontravam de pés juntos’’.
Depoimento - O secretário de Negócios Municipais de Santo André, Klinger de Oliveira Souza, disse em entrevista coletiva, ontem à tarde, após depor no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que esteve no apartamento de Celso Daniel no sábado posterior ao sequestro, em companhia da namorada do prefeito, Ivone Santana, para verificar a agenda da secretária eletrônica do petista, atrás de informações dos sequestradores.
Klinger afirmou que foi a única vez em que esteve na residência de Daniel. A polícia investiga denúncia de que o secretário teria ido duas vezes ao apartamento. Uma das questões ainda não esclarecidas pela polícia é o fato de que a calça usada por Celso Daniel quando foi assassinado é diferente da que ele usava no momento do sequestro.
Klinger, que já tinha sido ouvido pela polícia na última segunda-feira, ainda vai depor na Polícia Federal.
Ivone Santana, que foi ouvida ontem pela PF, também confirmou que esteve no apartamento de Daniel, 12 horas depois do sequestro, para checar se havia alguma mensagem na secretária eletrônica.

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