Polícia investiga denúncia contra Carlos Scarpelini
Polícia investiga
denúncia contra
Carlos Scarpelini
Maurício Borges
Uma denúncia anônima, encaminhada em novembro de 97 ao Tribunal de Contas do Estado e à Ouvidoria Geral do Estado, gerou anteontem a abertura de um inquérito policial contra o prefeito de Apucarana, Carlos Roberto Scarpelini (PPB). A instauração do inquérito foi determinada pelo Procurador Geral de Justiça, Munir Gazal, visando a apuração de denúncias anônimas, relatando a ocorrências de irregularidades na administração da prefeitura no ano passado.
Entre as irregularidades estão descumprimento de um acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, para pagamento de salários em atraso; contrato irregular para implantação de um novo sistema de iluminação pública, celebrado com a Promenge (Maringá); enriquecimento ilícito do prefeito, vice-prefeito e secretários, com aquisição de bens, reforma de casas e viagens; aquisição de veículos para uso particular de secretários, através de leasings supostamente pagos pelo município; abastecimento de veículos particulares com requisições da prefeitura e pagamentos de diárias frias a secretários, diretores e funcionários.
Por determinação da Procuradoria Geral de Justiça, o delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial, Otacílio Bovolin, designou o delegado operacional João Aquino de Almeida para presidir o inquérito. O inquérito começou ontem mesmo, com a intimação de 20 pessoas para depor e solicitação de uma série de documentos ao prefeito Carlos Scarpelini.
Conforme o delegado responsável pelo inquérito, foi concedido um prazo de 10 dias para que a prefeitura providencie todos os documentos referentes às denúncias apresentadas ao TC e Ouvidoria. Porém, o assessor jurídico da prefeitura, Theóquito Amador, requisitou um prazo de 60 dias, argumentando que os documentos solicitados são muitos. Bovolin diz que pretende concluir o inquérito e encaminhá-lo à justiça num prazo de 30 dias.
O prefeito Carlos Scarpelini (foto) concedeu entrevista ontem, manifestando-se muito tranquilo em relação ao inquérito. Depois que denunciei há uma semana a discriminação sistemática praticada pelo governo do Estado contra Apucarana, e respondi à altura às críticas feitas à minha administração pelo governador Jaime Lerner, já estava preparado para enfrentar retaliações, comentou Scarpelini.
Para ele, as denúncias anônimas são próprias dos covardes, e especificamente neste caso partem de laranjas ligados a um ex-prefeito que insiste em trabalhar contra Apucarana, depois de sua derrota na eleição de 96.
Segundo Scarpelini, depois da denúncia, uma equipe do TC esteve vistoriando documentos e a contabilidade da prefeitura, detectando alguns problemas, que foram questionados em relatório. Porém, nós respondemos uma a uma as dúvidas do TC, juntando documentos e provas que indicam a lisura de todas operações, assinalou ele, acrescentando que o processo aguarda parecer dos conselheiros do Tribunal de Contas.
O prefeito garante que não existem irregularidades em contratos e que não há enriquecimento ilícito de ninguém. E quanto aos salários dos servidores, ele admite o atraso de três meses, esclarecendo que isso é normal para quem assumiu um rombo de quase R$ 30 milhões. Estamos absolutamente tranquilos em relação a isso, que não passa de retaliação política, frisou.
Carlos Scarpelini diz que acha muito curioso que se dê tanta atenção a uma denúncia anônima que, conforme prevê a Constituição Federal, não deveria sequer ser considerada.





