Polícia investiga alteração contratual de empresa de bingo
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segunda-feira, 19 de julho de 2004
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O delegado Miguel Stadler, do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Segurança Pública, ainda não sabe até que ponto a alteração contratual da empresa Village Batel pesou na decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre, que determinou a abertura do Bingo Monte Carlo na semana passada. O Monte Carlo, localizado na Avenida Batel, pertence à empresa Village.
O Nurce abriu inquérito para investigar a alteração contratual da Village a pedido da cúpula da Junta Comercial do Paraná (Jucepar). Há suspeita de fraude cometida por funcionários da própria Jucepar. Por isso, a alteração foi invalidada por suspeita de corrupção de funcionários. Eles teriam colaborado para burlar o procedimento para conseguir a alteração no contrato, que teria embasado o pedido de liminar apresentado ao TRF da 4 Região.
Na opinião do advogado do Bingo Monte Carlo, Michel Saliba, a alteração no contrato social da empresa Village Batel não interferiu na decisão do desembargador Edgard Lipmann Júnior, do TRF da 4 Região.
''Não sabemos até que ponto a alteração contratual pesou decisão do TRF. Vamos apurar até que ponto isso foi decisório'', disse Stadler, que ouviu ontem o depoimento de mais cinco funcionários da Jucepar. De acordo com a assessoria de imprensa do TRF da 4 Região, a decisão do desembargador refere-se apenas ao Monte Carlo, sem fazer referência explícita a alterações contratuais na Village. O delegado vai solicitar cópia dos autos do processo à Procuradoria Geral do Estado (PGE). A reportagem não conseguiu contato ontem com o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Larceda, para comentar o assunto.
Dos cinco funcionários da Jucepar ouvidos ontem pelo Nurce, dois deles teriam tido acesso aos protocolos de alteração contratual da Village, segundo o delegado. Os nomes deles são mantidos sob sigilo.
Na última sexta-feira, o delegado ouviu quatro funcionários da Jucepar, todos colaboradores na investigação. Com base nos depoimentos, Stadler disse ter fortes indícios de estelionato (obtenção de vantagem ilícita) dentro da Jucepar. O delegado espera receber hoje cópia do cadastro de visitantes da Junta e as filmagens feitas pelo circuito interno da Jucepar. A intenção é saber se algum integrante da empresa Village esteve na Jucepar. Ainda esta semana, o delegado pretende ouvir representante da empresa Village.
''A posição da Jucepar, de pedir a investigação, não é porque se trata de bingo. Poderia ser uma metalúrgica ou um armarinho. O problema é o procedimento irregular'', disse o presidente da Jucepar, Júlio Maito Filho.


