Polícia inocenta Maluf e Pitta
A polícia encerrou o inquérito sobre a compra de frango realizada pela Prefeitura de São Paulo nas administrações Paulo Maluf e Celso Pitta e concluiu que qualquer irregularidade no processo de licitação seria de responsabilidade da Secretaria Municipal de Abastecimento (Semab). O ex-prefeito e o atual não são acusados pela prática de supostos crimes no contrato. Relatório final do inquérito, assinado pelo delegado Hércules Crespi Filho, do Departamento de Polícia do Consumidor, cita a Secretaria Municipal de Administração (SMA) como responsável pela readequação do preço.
Ninguém foi indiciado no inquérito, remetido ao Tribunal de Justiça.
O inquérito foi aberto em agosto, por requisição da Procuradoria-Geral de Justiça, para apurar crimes de peculato, fraude à Lei de Licitações, dispensa indevida de concorrência e prevaricação que teriam ocorrido a partir da contratação da empresa A DOro Alimentícia e Comercial, do empresário Fuad Lutfalla, cunhado de Maluf. A A DOro vendeu 823 toneladas de frango congelado para a Semab, entre agosto de 1996 e fevereiro de 1997, faturando R$ 1,4 milhão. Ela havia ficado em segundo lugar na licitação, em março de 1996, oferecendo o quilo do frango a R$ 1,73.
A Frigobrás (Grupo Sadia) venceu a concorrência, cotando o quilo a R$ 1,66. Três meses depois, a Frigobrás pediu readequação de preço, elevando o quilo para R$ 1,75. Isso permitiu a contratação da A DOro. A empresa Obelisco Agropecuária Empreendimentos, de Sylvia e Lygia Maluf (respectivamente, mulher e filha do ex-prefeito), também teria sido favorecida. Praticamente no mesmo período em que a A DOro forneceu o produto para a Prefeitura, a Obelisco vendeu 1,84 milhão de frangos vivos (3,3 milhões de quilos) para a A DOro, recebendo R$ 1,72 milhão.





