Polícia inicia apuração de caso de tiros
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
O Departamento de Polícia Civil indicou ontem o delegado Moisés Américo de Souza, do 5º Distrito Policial (DP) de Curitiba, para investigar o suposto atentado contra o investigador de polícia Délcio Augusto Rasera (e não Razera, como se informou ontem), que participou das investigações sobre o rombo na Banestado Leasing e teve sua casa e carro alvejados por 22 tiros de metralhadora ou pistola semi-automática calibre 9 milímetros. O fato teria acontecido, segundo o investigador, por volta das 23h30 de quarta-feira, no Bairro Jardim Social.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, nenhuma hipótese será descartada. Vamos investigar a fundo esse atentado. Seja ele verdadeiro ou não. O fato é grave de qualquer forma, argumentou o delegado, que considera o caso nebuloso. A assessoria de imprensa do delegado-geral informou ontem que, por ter sido indicado no fim da tarde, o delegado do 5º DP ainda não poderia prestar declarações sobre o andamento das investigações. Ontem à tarde, peritos do Instituto de Criminalística fizeram uma segunda perícia no automóvel de Rasera.
Ribeiro negou que estivesse desconfiado de que o atentado foi uma simulação, mas disse que a Polícia Civil deveria ter sido comunicada oficialmente antes do fato ter sido divulgado para a imprensa. Se ele é vítima e é um policial civil, tinha a obrigação de nos comunicar. Acho estranho que ele tenha dado entrevistas e não tenha me informado. Nem a mim e nem ao delegado divisional, justificou. O delegado-geral já pediu a ficha funcional de Rasera a primeira coisa a ser analisada.
A Folha teve acesso exclusivo à ficha de Rasera, de 42 anos. Na ficha que está no Sistema de Consulta Integrada da Polícia Civil, há um inquérito policial respondido pelo investigador por estelionato. O número do prontuário é 66708-0. O sistema não informa em qual trâmite está o processo. Também consta do documento o registro de dez armas em nome do policial civil. Entre elas, duas espingardas calibre 12, uma carabina calibre 22, uma carabina Winchester calibre 32, três pistolas calibre 9 mm e um fuzil Colt Hbar Sporter calibre 223. Nenhum veículo está registrado atualmente no nome de Rasera.
O delegado Hieron Trinkel, do 6º DP onde Rasera está lotado, não quis comentar o caso. Ele se limitou a dizer que quem respondia pelas investigações era Leonyl Ribeiro. O divisional Paulo Ernesto Cunha confirmou que não recebeu, até o final da manhã de ontem, qualquer denúncia oficial sobre o atentado. Independente de ele aparecer ou não, iremos montar o inquérito. Mas não iremos fazer nada no afogadilho. Vamos ter que investigar e muito bem o caso, declarou.
O laudo do Instituto de Criminalística, que irá determinar o tipo de arma utilizada no suposto atentado, deverá ficar pronto em 20 dias. Os disparos foram feitos na rua. Os estojos foram coletados pelo próprio Rasera. Vamos fazer os laudos periciais e identificar a arma com segurança, afirmou José Lourenço Bueno, diretor do Instituto de Criminalística do Paraná. A Folha tentou contato com o investigador Rasera ontem, mas não ele não retornou as ligações da reportagem.


