Agência Estado
De Maceió
O deputado federal Augusto César Farias (PPB-AL) foi indiciado ontem como co-autor das mortes do seu irmão Paulo César Farias e da namorada dele Suzana Marcolino, ocorridas em 23 de junho de 1996. Segundo os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, responsáveis pelas investigações do caso, o deputado foi indiciado por co-autoria por ter insistido na versão de crime passional, ter coagido testemunhas e custeado a defesa dos demais acusados. Para os delegados os motivos dos crimes foram ‘‘poder e fortuna’’.
Além do deputado, foram indiciados os quatro PMs que trabalhavam como segurança de PC (os cabos Reinaldo Correia de Lima Filho e Adeildo Costa dos Santos e os soldados Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva), os caseiros (Leonino Tenório de Carvalho e Marize Vieira de Carvalho), o vigia Manoel Alfredo da Silva e o garçom Genival da Silva França. Todos estavam na casa de praia do empresário no dia dos crimes e foram indiciados como co-autores das mortes. Nenhum dos indiciados teve a prisão preventiva solicitada.
Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Edmilson Miranda, que acompanhou com o promotor Luiz Vasconcelos a apresentação do relatório final sobre as investigações, se o deputado Augusto Farias não tivesse imunidade parlamentar já estaria preso pela morte do irmão. ‘‘Temos que acabar com os privilégios dos criminosos de anéis: crime é crime, quem comete tem que ir para cadeia’’, afirmou Miranda, acrescentando que ‘‘Alagoas não é mais o paraíso da impunidade’’. O secretário pediu que a Justiça ‘‘faça agora a sua parte’’.
O promotor Luiz Vasconcelos, que acompanha o caso há mais de dois anos, disse que legalmente tem 30 dias para decidir se apresenta ou não denúncia contra os indiciados. ‘‘Como esse inquérito é muito complexo e volumoso, posso precisar de mais tempo para analisar todas as peças dos autos’’, justificou o promotor.
Ele explicou que caso concorde com o indiciamento de Augusto, como deputado tem imunidade parlamentar, quem vai decidir se irá oferecer denúncia contra ele no Superior Tribunal de Justiça é o procurador geral da República, Geraldo Brindeiro.
Depois de quatro meses e meio de investigações, os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade chegaram à conclusão de que PC e Suzana foram assassinados cada um com um tiro no peito. No relatório, os delegados não apontam a autoria material dos crimes e nem falam em autoria intelectual. Para eles, todos que estavam na casa na madrugada do dia 23 são suspeitos.
‘‘Todos são culpados, por participação direta ou por omissão’’, afirmou Andrade. No relatório, que contém 37 laudas, os dois delegados apontaram 26 indícios que compravam que PC e Suzana foram assassinados.
Os delegados disseram que encontraram ‘‘falhas gritantes’’ no laudo do médico legista Fortunato Badan Palhares, que defendeu a tese de crime passional. Para Andrade, o laudo de Palhares foi feito sob encomenda para justificar a tese de crime passional. O delegado não quis dizer quem teria encomendado o laudo ao legista de Campinas, mas afirmou que já desconfiava dele, antes mesmo da CPI acusá-lo de vender laudos falsos.Deputado é apontado como co-autor da morte misteriosa do irmão que foi o tesoureiro de Collor, e de sua namorada Suzana Marcolino
José Paulo Lacerda/Agência EstadoINVESTIGADOAugusto: poder e fortuna levaram deputado a insistir na versão de crime passional e a coagir testemunhas

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