O advogado Antônio Pellizzetti foi indiciado no inquérito policial que investiga o incêndio criminoso na Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em Curitiba, ocorrido no dia 29 de dezembro. O advogado se apresentou espontaneamente para prestar depoimento na Divisão de Narcóticos (Dinarc) anteontem, às 23 horas. O delegado-chefe da Dinarc, Adauto Abreu de Oliveira, justificou o indiciamento por causa das ligações de Pellizzetti com os policiais civis Mauro Canuto e Edson Clementino da Silva, o ‘‘Lambe-Lambe’’, o sargento Ademir Leite Cavalcante e o segundo tenente Alberto Silva Santos. Eles também são acusados de envolvimento no atentado e estão presos.
‘‘Todos eles se conheceram no escritório do advogado. O Antônio Pellizzetti foi indiciado por uma questão de coerência’’, afirmou Adauto. ‘‘Se os demais foram indiciados por uma prova testemunhal, baseada no depoimento do cabo Sezipanski, o advogado não ia escapar’’, explicou o delegado, referindo-se às revelações feitas pelo cabo João Sezipanski. Pellizzetti, que já defendeu causas de policiais, negou qualquer ligação com o atentado. Ele teve o sigilo telefônico quebrado.
Na tarde de ontem, oito pessoas foram ouvidas como testemunhas do segundo tenente e de Lambe-Lambe. Funcionários, gerentes e proprietários de duas boates de Curitiba seriam os álibis dos acusados para garantir que eles não estiveram na PIC na hora do atentado. O delegado disse que as testemunhas não confirmaram que eles só teriam saído das boates ao amanhecer de 29 de dezembro.
Segundo o delegado, os telefones celulares dos dois tocaram na madrugada do atentado na região onde funcionava a sede da PIC. Adauto vai encaminhar à Justiça os pedidos de prisão preventiva do tenente e de Lambe-Lambe amanhã à noite. À meia-noite de domingo vence a prorrogação dos mandados de prisão temporária de ambos.
Adauto relatou que cada um dos suspeitos receberia cerca de R$ 5 mil depois do incêndio que destruiu 90% dos arquivos da PIC. ‘‘Apesar de pouco para um atentado daquele, era muito dinheiro para todos eles.’’. O segundo tenente Santos é apontado como o dono do Gol usado para transportar os autores do atentado. Em depoimento, o policial disse que seu carro foi levado para uma oficina em Campo Grande (MS) para reparos mecânicos na suspensão. Santos alegou não saber o nome da oficina, nem o nome completo do amigo que deixou o veículo na oficina.
Apesar do indiciamento de cinco suspeitos, Adauto disse que ainda não tem condições de afirmar quem foi o mandante. Ontem, ele voltou a declarar que não possui provas materiais contra Canuto e o sargento Cavalcante, mas informou que foram encontradas novas impressões digitais no local do atentado. Elas não combinam com nenhuma das digitais dos suspeitos investigados até agora.
O que associa Canuto e o sargento ao atentado é apenas o depoimento do cabo Sezipanski. Caso a polícia não consiga levantar evidências para confirmar o envolvimento dos dois, Adauto prevê que eles devem ser soltos quando vencer a prisão temporária.
O elo mais forte entre os acusados e o incêndio criminoso é o depoimento de Sezipanski, do 13º Batalhão da Polícia Militar. Ele garantiu que o sargento Cavalcante (e não o segundo tenente Alberto Silva Santos, como foi publicado ontem) revelou um dia depois da invasão quem eram os envolvidos no caso. A conversa teria surgido quando o cabo relatou ao colega de batalhão que o crime estava próximo de ser desvendado.
Sezipanski integra o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), que ajuda na apuração do incêndio. Preocupado com as revelações feitas pelo cabo, o sargento teria falado sobre os autores do crime, tentando convencer Sezipanski a prejudicar a investigação. O policial se recusou e teria sido ameaçado de morte pelo sargento. Sezipanski procurou os superiores para denunciá-lo.

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