Polícia Federal não sabe se indicia envolvidos no caixa 2
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sexta-feira, 07 de junho de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Federal (PF) ainda não sabe se irá indiciar os envolvidos na denúncia de existência de um caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), em 2000. Segundo um levantamento realizado pelo Ministério Público (MP) estadual, o prefeito teria deixado de declarar R$ 17 milhões utilizados na campanha à Justiça Eleitoral.
O pedido de indiciamento foi feito no dia 15 de maio pelo promotor eleitoral Valclir Natalino da Silva, após o delegado Hugo Corrêa Martins declarar que já havia evidências suficientes que apontavam para um crime eleitoral.
O delegado referia-se a uma sonegação cometida pelo comitê do PFL no valor de R$ 53 mil confirmada em notas fiscais originais. Se já há evidências de crime, podemos esperar um indiciamento, que é uma fase ainda anterior a denúncia, comenta Natalino da Silva.
A linha de raciocínio da Polícia Federal, entretanto, diverge da do promotor. Uma declaração de um delegado não é suficiente para se pedir um indiciamento. Os próprios promotores que investigaram o caso em uma primeira fase deram mais de dez declarações dizendo que havia provas de crime eleitoral, mas não formalizaram a denúncia. Só formalizaremos o indiciamento quando a investigação apontar claramente nessa direção, afirma o delegado regional da PF, Ademir Gonçalves.
A intenção da PF de aprofundar as diligências já realizadas pelo Ministério Público é confirmada pelo andamento atual do inquérito. As pessoas citadas como colaboradores do comitê do PFL no livro-caixa do ex-tesoureiro de Cassio, Francisco Paladino Junior, estão sendo ouvidos pela PF.
Quarta-feira os delegados tomaram o depoimento da irmã do governador, Clarita Lerner Naigeboren, que figura no livro-caixa como sendo a responsável pela organização do jantares na campanha do prefeito. Clarita atualmente ocupa a função de assessora de gabinete de Cassio.
A Polícia Federal também pretende ouvir nos próximos dias o ex-secretário de Comunicação Social do governo, David Campos e o atual diretor da Agência de Comunicações do Governo, jornalista Deonilson Roldo. O subchefe da Casa Civil, Eduardo Fernandes Paim também deve ser ouvido pela PF.


