O delegado da Polícia Federal em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, acredita que existiu um caixa 2 na campanha do deputado estadual Antonio Carlos Salles Belinati (PSL), em 98. Pela prestação de contas encaminhada no final de junho pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas que somente chegou as mãos do delegado na semana passada, Antonio Carlos teria utilizado na campanha a deputado, R$ 185 mil.
''Como se fosse o caso que está acontecendo em Curitiba, do Cassio Taniguchi (PFL). Ou seja, prestação de contas em um valor e teria sido gasto um valor muito maior. Praticamente fatos similares, justamente um caixa 2'', afirmou o delegado que preside o inquérito instaurado em janeiro, para apurar crime eleitoral por abuso de poder econômico. ''Pelo valor apresentado de R$ 185 mil, bem como o nome das pessoas, fornecedores, documentos, acredita-se que tenha gastado muito mais. Como vamos provar isso? As pessoas vão ter que apresentar notas fiscais, vamso pegar esses documentos e comparar com a prestação. Todos nós que moramos em Londrina, vimos que a campanha foi exorbitante, então existe já indício de uma possível irregularidade, que só vai ser comprovada com a oitiva dessas pessoas e documentação'', complementou.
Segundo o delegado, o inquérito foi instaurado por determinação da procuradoria Eleitoral. ''O Ministério Público Estadual encaminhou seis ações para a Procuradoria Eleitoral em Curitiba, e nessas ações civis públicas haviam depoimentos que afirmaram que o dinheiro desviado da AMA/Comurb, tinha sido utilizado quase em sua totalidade, na campanha de Antonio Carlos Belinati.''
O deputado não quis comentar os valores gastos em sua campanha. ''Em uma campanha existem pessoas responsáveis por cada tipo de atividade. Nem tudo cabe ao candidato. A minha função é sair a campo e conseguir apoio para minha candidatura. Essas questões coloco nas mãos dos meus advogados'', disse Antonio Carlos.
Na prestação de contas da campanha do deputado, constam 27 doações de pessoas físicas e jurídicas, dentre elas diversos secretários da Prefeitura de Londrina, da gestão de Antonio Belinati (sem partido), pai de Antonio Carlos. A maioria desses secretários foram citados nas ações civis públicas ajuizadas pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, por envolvimento no desvio de pelo menos R$ 20 milhões dos cofres públicos municipais.
O ex-diretor administrativo finaceiro da extinta Comurb (hoje CMTU), Eduardo Alonso de Oliveira, que consta na prestação de contas como doador de R$ 2,5 mil para a campanha, afirmou que somente emprestou um cheque para o então presidente da companhia, Kakunen Kyosen. ''O Kakunen pediu para toda a diretoria que desse um cheque e deu a destinação que ele quis. Falou que precisava fazer pagamentos. Pediu o cheque para nós e deu em dinheiro para a gente. Depois que a gente ficou sabendo que foi campanha do Antonio Carlos'', relatou.
Apesar de Kyosen assinar a prestação de contas de Antonio Carlos como contador, ele nega que exercesse a função. ''Eu só montei o processo de prestação de contas'', afirmou.''
De acordo com o delegado, diversas pessoas serão chamadas para depor.

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