Brasília - A Polícia Federal indiciou ontem o deputado cassado Roberto Jefferson, presidente do PTB, sob a acusação de formação de quadrilha no inquérito que apura denúncias de irregularidades nos Correios.
Segundo a investigação, há três pontos que levam à conclusão de que Jefferson praticou esse crime: as afirmações do próprio investigado de que teria feito indicações para os Correios em favor dos interesses do seu partido, entre as quais a de Maurício Marinho, que foi flagrado em uma fita de vídeo recebendo R$ 3 mil em propina; as afirmações de Marinho admitindo ter ajudado a arrecadar recursos para políticos, prática conflitante com seu dever de servidor público; depoimentos de três empresários que confirmaram ter doado material de campanha para o PTB porque teriam sido pressionados por Marinho.
Entre as empresas extorquidas estão a Comércio e Indústria Multiformas Ltda., de Taboão da Serra (SP), e Incomir, com sede em São Ludgero (SC).
Marinho foi indiciado por quadrilha, fraude a licitação e também pelo crime de concussão, que é extorsão praticada por servidor público.
Jefferson foi ouvido ontem na sede da PF, em Brasília. Ao iniciar o depoimento, o delegado Daniel Albuquerque o informou sobre o indiciamento.
Por meio de seu blog na internet, o presidente do PTB disse que as acusações da PF contra ele ''são vagas e baseadas em hipóteses''.
''As provas que a PF juntou contra mim têm como base a palavra do petequeiro Maurício Marinho na PF e em um secreto depoimento de Marinho no Ministério Público Federal, onde fez acordos de delação premiada. Nada bate com o que está provado por outras pessoas no próprio inquérito.''
Também conforme Jefferson, nem ele nem ''qualquer companheiro do PTB fez negócio nos Correios para beneficiar o partido''.
A assessoria de imprensa da PF informou que ''o indiciamento é técnico e baseia-se em robustos fatos que comprovam que o então deputado indicou pessoas para, nos Correios, angariarem fundos para seu partido, caracterizando assim o crime de quadrilha''.
Em nome de Marinho, o advogado Sebastião Coelho disse que os indiciamentos feitos contra seu cliente não têm fundamento. A reportagem tentou entrar em contato com as duas empresas ontem, mas não conseguiu localizar os representantes.

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