Curitiba - O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito que apura a existência de um caixa 2 na campanha eleitoral do PFL em 2000. O prefeito, que foi reeleito naquele ano, é acusado de deixar de declarar até R$ 17 milhões à Justiça Eleitoral na prestação de contas de sua campanha. Tecnicamente, Cassio foi indiciado ''indiretamente'' por não ter comparecido para depor.
A defesa do prefeito, porém, contesta o indiciamento. O advogado Luiz Alberto Machado conseguiu ontem pela manhã, junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), habeas corpus suspendendo o indiciamento do prefeito no inquérito do caixa 2. A liminar foi assinada pelo juiz Jaime Stivelberg. Para Machado, o inquérito tem interesse político. ''É um carnaval político'', declarou.
Já o advogado Daniel Godoy, um dos responsáveis pela ação contra Cassio, considerou o indiciamento ''o primeiro resultado da investigação'' em torno do suposto caixa paralelo. ''O prefeito foi indiciado por não ter feito uma prestação de contas verdadeira'', disse, referindo-se ao caso presidido pelo delegado Hugo Corrêa Martins.
A Polícia Federal encaminhou ontem o inquérito à 1Zona Eleitoral. Até o fechamento desta edição, o juiz substituto Jorge de Oliveira Vargas ainda não havia analisado o relatório feito pela Polícia Federal, que tem 38 páginas.
Segundo Daniel Godoy, Cassio foi indiciado indiretamente porque não compareceu para depor. Machado alegou que o prefeito nunca se recusou a depor. De acordo com ele, pelo fato de Cassio ser servidor público, ele tem direito a escolher hora e local para ser ouvido. O depoimento de Cassio ocorreria, segundo Machado, somente na semana que vem. A Folha apurou que a data do depoimento seria dia 29.
A Polícia Federal havia expedido no último dia 5 ofício ao prefeito solicitando que ele escolhesse data para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de caixa 2.
A Folha procurou o prefeito no início da noite de ontem, mas ele não foi encontrado para comentar o assunto.
O promotor eleitoral Valclir Natalino da Silva está de férias, e só retorna ao trabalho no próximo dia 1º. Em entrevista à Folha, na tarde de ontem o promotor disse que assim que voltar vai analisar que medidas cabem contra o prefeito. ''Vamos avaliar os desdobramentos no campo eleitoral, se cabe cassação ou não'', afirmou.
O outro advogado de defesa do prefeito, José Cid Campêlo, foi procurado ontem pela reportagem, mas estava em viagem. Em entrevista anterior, Campêlo disse que pretendia sustentar a versão de que Cassio não teria responsabilidade sobre quaisquer irregularidades. ''O prefeito não teve nenhum gasto na campanha. Quem fez a previsão de gastar R$ 3 milhões foi a coligação que o elegeu'', afirmou Campêlo.

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