Brasília - A Polícia Federal informou ontem que ''já existem elementos suficientes'' para indiciar o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. A equipe do delegado Rodrigo Carneiro Gomes, responsável pelo inquérito que apura o vazamento do sigilo bancário, deve indiciar Palocci nesta quarta-feira. A expectativa é que Palocci seja indiciado, ao menos, pela quebra de sigilo funcional e abuso de poder. A PF deve voltar a intimar Palocci hoje. A PF tentou intimar Palocci na semana passada, mas o ex-ministro apresentou um atestado médico de quatro dias para não comparecer ao depoimento.
Palocci é suspeito de ter ordenado ao ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso a quebra do sigilo bancário do caseiro. A violação ocorreu logo depois do caseiro desmentir Palocci na CPI dos Bingos. Ele disse ter visto Palocci na casa alugada em Brasília pelos ex-assessores de Ribeirão Preto para negociatas com lobistas e festas com prostitutas. A violação mostrou o recebimento de depósitos no valor de R$ 35 mil na conta poupança de Francenildo na Caixa. Os dados da movimentação financeira -repassados para a revista ''Época'' - foram usados pelos governistas para sugerir que o depoimento de Francenildo teria sido comprado pela oposição.
A PF está, desde a última sexta-feira, tentando intimar o jornalista Marcelo Netto, assessor do ex-ministro de Antônio Palocci, como envolvido no complô para desmoralizar o caseiro Francenildo, mas não consegue encontrá-lo. Além de envolvido na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro, Netto é acusado de ter vazado os dados para a imprensa e deverá ser indiciado pelos dois crimes, podendo até ser alvo de prisão temporária, caso continue evitando depor.
Desde o início das investigações o nome de Netto vem apontado como suspeito, mas os primeiros dados objetivos surgiram sexta-feira última, quando o motorista do presidente da Caixa, Jorge Mattoso, informou ter visto o carro do jornalista, um Mercedes classe A, cor cinza escuro, na garagem de Palocci, na noite do dia 16 de março. Nessa ocasião, Palocci e Mattoso discutiam com dois representantes do Ministério da Justiça meios para viabilizar uma devassa na vida de Francenildo. No último domingo, a suspeita se materializou quando o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg, citou que Netto estava presente à reunião do dia 16. (Com Agência Estado)

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