Brasília O delegado da Polícia Federal, Gesival Gomes dos Santos, que investiga a realização de grampos ilegais pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia, confirmou ontem que nos próximos dias irá convidar o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para depor.
Mas antes o delegado quer ouvir o depoimento dos repórteres da revista IstoÉ Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz. Se eles confirmarem a versão dada ao Conselho de Ética do Senado, a situação do senador poderá se complicar também no inquérito, podendo ele ser indiciado como mandante das escutas clandestinas.
Os dois jornalistas apresentaram no Conselho, quinta-feira, uma fita onde o senador faz referências às gravações telefônicas clandestinas, como se já tivesse tido conhecimento antecipado sobre elas. O depoimento dos jornalistas foi considerado grave por senadores governistas e de oposição. O senador vai decidir nos próximos dias se apresentará sua defesa ao Conselho na próxima quinta-feira. ACM foi acusado pelo deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) de ter mandado grampear seu celular e o o Conselho abriu sindicância para apurar seu suposto envolvimento no caso.
O delegado Gomes dos Santos disse ontem que 70% do inquérito já está praticamente concluído, faltando apenas definir quem foi o intermediário entre os executores dos grampos e o próprio mandante. ''Já temos definidos quem executou os grampos, quem sabia deles, mas estamos procurando o intermediário'', afirmou Gomes.
O delegado retorna à Bahia para interrogar o ex-chefe da Central Única de Telecomunicações da Polícia Civil Roberto Costa e Silva. ''Vamos tentar ouvir outros policiais para ver se chegamos aos elementos que faltam para encerrar o inquérito.''

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