Polícia espera apresentação de Noronha
Giovani Ferreira
De Curitiba
O ex-delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Képes Noronha, deve se apresentar a qualquer momento a partir de hoje. A expectativa é do diretor da Divisão de Investigações Criminais, delegado Clóvis Galvão, que é responsável pela prisão dos policiais que tiveram a prisão temporária determinada pela CPI do Narcotráfico. Ele está foragido da Justiça há 20 dias, desde que teve sua prisão decretada porque não atendeu à convocação para depor quando os membros da CPI estiveram no Estado.
Na avaliação de Galvão, Noronha não vai ficar nesse impasse. O delegado acredita que ele está apenas esperando uma resposta judicial, sobre o recurso que seus advogados apresentaram no Tribunal de Justiça, para tentar o relaxamento de sua prisão. Como essa decisão pode sair no início desta semana, Galvão aposta que o aparecimento de Noronha não deve demorar. Por tratar-se de um fugitivo, particularmente o delegado Galvão entende que será difícilque Noronha consiga revogar sua prisão.
Noronha é o único dos 14 policiais que tiveram prisão decretada que ainda está foragido. Durante a semana passada surgiram diversos boatos, que não foram confirmados, de que o ex-delegado estava escondendo-se na Região Metropolitana de Curitiba. A Folha não conseguiu ouvir o advogado Luiz Alberto Machado, que está defendendo os interesses de Noronha neste caso. Na tarde de ontem, por várias vezes, a reportagem tentou falar com Machado, mas não teve retorno aos seus telefonemas.
A última prisão foi a do investigador Mauro Canuto, que se apresentou na noite de sexta-feira e está preso na ala especial da Polícia Civil na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. Canuto, segundo o deputado Padre Roque Zimmerman (PT), ele deve ser convocado a depor em Brasília ainda esta semana. O investigador vem sendo apontado como um dos coordenadores do narcotráfico no Paraná.
Enquanto Noronha não aparece, as pessoas empenhadas em sua defesa tentam desqualificar os depoimentos dos que o acusaram de participar do esquema de tráfico de drogas. Ontem estava circulando na imprensa e em todo o meio policial, um texto com a degravação de uma suposta conversa entre a traficante Shirley Aparecida Pontes e uma segunda pessoa não identificada. Na conversa a voz que seria de Shirley fala que foi induzida pela CPI a fazer declarações mentirosas.
Shirley está presa na ala de segurança máxima da Penitenciária Feminina, em Piraquara. Durante seu depoimento na CPI ela fez acusações contra o então delegado Ricardo Noronha. Segundo Shirley, Noronha estaria diretamente envolvido com o tráfico de drogas no Paraná. Na conversa, apresentada pelos advogados de Noronha, a traficante esclarece que inventou um monte de histórias.
Padre Roque disse ontem que Shirley foi pressionada a fazer essas declarações. De acordo com o deputado, ela está com medo e sendo ameaçada de morte dentro do presídio. Se alguma coisa acontecer a Shirley, nós vamos responsabilizar o governador Jaime Lerner, afirma Padre Roque.





