Polícia entra hoje na fazenda de Janene a pedido dos sem-terra
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Policiais civis e militares realizam diligências hoje de manhã na Fazenda 3 Jota, no distrito de Guaravera (Zona Sul de Londrina), para localizar pertences reclamados por ex-acampados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no local. A propriedade, invadida pelo movimento em setembro do ano passado, é da família do deputado federal licenciado José Janene (PP-PR). Na última terça-feira, 30 famílias foram expulsas da área por homens armados. Desde então, dois deles estão presos por porte ilegal de armas e munição.
A ação de hoje, prevista para as 7h30, terá a participação de integrantes do MST, de administradores da fazenda, do comandante interino do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Fábio Luiz Rincoski, e do delegado-adjunto da 10 Subdivisão da Polícia Civil, Nelson Águila.
A iniciativa é resultado de uma visita feita ontem ao delegado-chefe da Civil em Londrina, Sérgio Barroso, por um grupo composto por coordenadores locais e estaduais do MST, políticos e Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná. De manhã, a comitiva tentou entrar na 3J para avaliar a situação e resgatar objetos e animais que seriam dos sem-terra. Segundo a assessoria do movimento, contudo, o acesso teria sido bloqueado por policiais da tropa de choque, por seguranças de uma empresa particular e por um funcionário de Janene.
''As famílias estão reclamando que ficaram lá objetos pessoais, cabeças de gado e instrumentos de trabalho, então vamos lá identificar com representantes dos dois lados, pois concordaram com essa intermediação nossa'', apontou o delegado. Conforme o policial, a expectativa é que a atividade transcorra sem enfrentamentos. ''Pode ser que digam que algo sumiu; nesse caso, vamos ouvir as versões e, se necessário, instaurar novos inquéritos. Mas o objetivo é evitar mais conflitos'', definiu Águila, que ressaltou: não será feita vistoria de eventuais danos à fazenda invadida.
O delegado do 6º Distrito Policial (DP) e chefe do inquérito, Algacir Ramos, disse ontem que o depoimento do homem apontado pelos sem-terra como possível comandante da milícia, Jair França de Camargo, o ''Jairzão'', nada acrescentou às investigações. Ele falaria anteontem, mas, afirmou Ramos, preferiu se manifestar somente em juízo. O delegado disse que, entre os próximos chamados a depor, podem estar os proprietários da fazenda. ''O termo circunstanciado do Jair será repassado ao Juizado Especial Criminal e, enquanto isso, continuam as diligências para apurar novos depoentes. Donos e administradores da área não estão, em absoluto, descartados'', concluiu o delegado.
Além da chefia da Polícia Civil, a comitiva se reuniu ontem também com o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT). A administração colocou à dispoição das famílias auxílios como alimentos e roupas.


