Polícia e MP investigam denúncia em Apucarana
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segunda-feira, 18 de outubro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Denúncia de compra de votos nas eleições de Apucarana foi encaminhada ontem pelo Ministério Público (MP) para o juiz da 28 Zona Eleitoral, Marcelo Mazales. O Movimento pela Moralização da Administração Pública de Apucarana levantou indícios de irregularidades no processo eleitoral cometidas pelo vereador reeleito André Rossi (PSDB). Segundo a coordenadora do movimento, Aurita Bertoli, o promotor Márcio Mota Dantas colheu depoimentos de testemunhas sobre o assunto. ''Em Apucarana houve compra de votos de forma escandalosa'', salientou Aurita.
Márcio Dantas encaminhou a denúncia e os depoimentos para o promotor da 28 Zona Eleitoral, Gustavo Marinho, que se reuniu ontem com integrantes do movimento para informá-los sobre o processo. Marinho disse ter entrado com pedido de ação de investigação judicial com captação ilegal de sufrágio na última sexta-feira.
Entre o material entregue, Marinho destacou ter uma lista com mais de 200 nomes de supostos eleitores que teriam vendido o voto. Testemunhas indicaram que receberam R$ 20 em troca do voto em apoio ao vereador. Aurita esclareceu que alguns eleitores teriam vendido o voto e, como não receberam o combinado, denunciaram o caso à promotoria. Conforme o promotor, a fraude de compra de votos pode levar à inelegibilidade, pagamento de multa e até cassação do diploma.
A Polícia Civil investiga ainda outros três casos de supostas irregularidades nas eleições. O delegado-chefe Acácio de Azevedo detalhou que há três inquéritos em andamento. Dois questionam a entrega de vale-combustível no dia das eleições e dias antes. O caso envolve dois postos e dois candidatos a vereador que já ocupavam o cargo e, de acordo com o delegado, não foram reeleitos. Outro Boletim de Ocorrência registrado pediu averiguação da entrega de lanche para mesários no dia do pleito. A polícia investiga se o caso também tem ligação com algum candidato. Acácio de Azevedo acrescentou que a denúncia envolvendo o vereador Rossi foi recebida ontem pela polícia e também será investigada.
Rossi, eleito para seu segundo mandato com 1.407 votos, enfatizou não ter relação com o caso. ''Isso é denúncia infundada e só está acontecendo com candidatos que foram eleitos'', declarou. O vereador elogiou o trabalho do MP e disse acreditar plenamente nos trabalhos dos promotores: ''Pegaram uma pessoa para bode-expiatório mas pegaram a pessoa errada porque todo mundo sabe que fiz uma campanha honesta.''
O movimento pela moralização existe há quatro anos e é composto por 16 entidades.


