Josué de Carvalho/Folha de LondrinaAmeaçasJoão Mathias: ‘Na camapnaha eles diziam que meu filho não ia governar’O delegado de Arapongas, José Carlos Bassalobre, divulgou ontem os nomes dos suspeitos de terem assassinado o prefeito de Arapuã, Hélio Mathias (PTB). São eles: Robson de Oliveira Santana, 19 anos, e Antônio Carlos Silva, 34 anos. Os dois suspeitos residem em Ipiaú (BA) - 600 km de Salvador - e estão foragidos.
Mathias foi morto no dia 17 de abril, em Arapongas, quando saía de uma concessionária de veículos. Ele levou três tiros à queima-roupa. Segundo testemunhas, os tiros foram dados por Robson Santana. A polícia sustenta que o crime foi premeditado. Santana e Silva chegaram a Ivaiporã, cidade vizinha de Arapuã, quatro dias antes do crime.
Para chegar aos nomes, a polícia baseou-se no retrato-falado e na placa do carro utilizado pelos acusados. Segundo Bassalobre, que coordena as investigações do caso, o Chevette prata, placa JLG 0146, de Ipiaú, foi comprado cerca de 20 dias antes do crime. O delegado informou que uma equipe de investigadores esteve na cidade baiana, à procura dos acusados. Sem sucesso. As famílias não tinham informações sobre o paradeiro dos dois. O último contato foi feito por Santana, que ligou para a mãe no dia seguinte do crime.
A comarca de Arapongas decretou a prisão temporária de Santana e Silva. A polícia de Ipiaú está à procura dos acusados, que não têm outro envolvimento criminal, segundo Bassalobre.
Agora a polícia de Arapongas está investigando mais dois possíveis envolvidos no crime. Um deles seria o mandante, o outro teria se hospedado nos mesmos hóteis (Oriente e Sergipanos) que Santana e Silva, em Ivaiporã, mas não há provas de envolvimento.
Segundo Bassalobre, existem diversos suspeitos de serem o mandante. A hipótese mais contundente para a polícia é a de crime político. ‘‘Mathias recebeu ameaças durante a campanha de 96 e também depois da posse’’, disse o delegado. Poucos dias antes do crime, a esposa do prefeito assassinado, Helena Buer Mathias, atendeu um telefonema em que a pessoa afirmava que ia explodir a casa de Mathias. A ameaça não foi levada a sério pelo ex-prefeito.
A polícia trabalha também com outras hipóteses. ‘‘Estamos investigando a possibilidade do crime ter sido cometido por causa de dívidas’’, disse Bassalobre. A família de Mathias acredita que tenha realmente sido um crime político. O pai do ex-prefeito, João Mathias, afirma que durante a campanha ele recebia ameaças indiretas. ‘‘Chegaram a dizer que ele não governaria’’, afirmou o pai. Para João Mathias, é muito difícil entender o crime. ‘‘Ele era muito querido, não tinha inimigos’’.
Hélio Mathias era o primeiro prefeito de Arapuã, distrito emancipado de Ivaiporã, no final do ano passado.

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