A Polícia Militar do Paraná fez ontem a detenção de 123 pessoas que infringiram a lei eleitoral. Em Curitiba, 116 cabos eleitorais foram levados para o centro de triagem montado pela PM no ginásio de esportes da Pontifícia Universidade Católica (PUC), acusados de estar fazendo boca-de-urna ou distribuindo material de campanha. Todas responderão processo por crime eleitoral. Entre os detidos estavam o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, Roberto Baggio, e o vereador Aldemir Manfron (PTB).
O comandante da Polícia Militar do Paraná, coronel Guaraci Moraes Barros, disse que o número de detenções em Curitiba era o ‘‘esperado’’. ‘‘Numa eleição acirradíssima como esta, sabíamos que as detenções iriam aumentar’’, justificou.
Em Maringá, seis pessoas foram detidas e, em Londrina, apenas um homem foi acusado de fazer boca-de-urna. O coronel informou que o policiamento nas três cidades só seria desmobilizado depois que terminassem as comemorações dos prefeitos eleitos.
Em Curitiba, apenas o motorista Gerson dos Santos foi encaminhado à Polícia Federal no fim do dia para prestar depoimento. Os demais foram liberados após as 17 horas, término da votação.
O líder do MST, Roberto Baggio, não permitiu ser fotografado, mas garantiu que não estava fazendo nada de ilegal no momento da detenção. ‘‘Eles me prenderam sem nenhum material, apenas porque eu estava perto do colégio’’, disse. Advogados do PT aconselharam Baggio a não fazer declarações públicas antes do encerramento do processo eleitoral.
O motorista Gerson dos Santos foi detido pela PM no início da manhã a pedido da juíza eleitoral da 2ª zona eleitoral, Lenice Bodstein. Ele estava com o caminhão Volvo placas ADE 1674 estacionado em frente à entrada do Colégio Leôncio Correia, no Bairro Bacacheri. A carreta estava coberta por uma lona branca com propaganda de Cassio Taniguchi. Ele foi o único que prestou depoimento por crime eleitoral na Polícia Federal.
Às 17 horas os policiais começaram a liberar as pessoas. No primeiro turno, dos 86 detidos durante o dia, apenas dois tinham sido encaminhados à Polícia Federal. Um por agressão a um eleitor e outro por ter causado tumulto em uma das seções eleitorais.
Entre os detidos durante todo o dia de ontem, cerca de 30 eram cabos eleitorais de Vanhoni e mais de 85 de Taniguchi. Apenas uma pessoa foi presa por embriaguez. Na votação em primeiro turno, 89 pessoas tinham sido flagradas pela PM fazendo boca-de-urna.