Polícia descobre grampo em Assaí
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domingo, 13 de janeiro de 2002
Lúcio Flávio Moura 
O delegado Adair de Oliveira, de São Jerônimo da Serra, instaurou ontem inquérito para apurar um suposto esquema de escuta telefônica ilegal na casa e no gabinete do prefeito Mário Sato (PSDB), de Assaí (36 km a leste de Londrina). O grampo foi descoberto após um pedido de averiguação do prefeito. Havia dois meses, segundo Sato, que a linha telefônica da sua casa aparentava ter problemas técnicos.
Chiava muito e, muitas vezes, as ligações tinham outros ruídos estranhos, disse o prefeito. Na sexta-feira, o transmissor da casa foi descoberto. Decidi verificar meu gabinete, mas não acreditava que pudessem ser tão ousados. Para minha surpresa, estava errado.
Segundo o técnico autônomo Paulo Rodrigues, foram encontrados dois transmissores sem fio. Um estava acoplado na linha externa da casa e o outro na tomada do telefone do gabinete. Com estes aparelhos é possível que um rádio-amador captasse e gravasse as conversas, explicou.
Rodrigues informou que os aparelhos podem ser instalados rapidamente em até um minuto e custam entre R$ 1,5 mil e 2 mil. No caso da conexão da linha residencial, os técnicos disseram que o grampo foi feito por um especialista.
O delegado Oliveira informou que os transmissores sem fio serão enviados amanhã para o Instituto de Criminalística de Londrina, onde será feito uma perícia. Os primeiros depoimentos do inquérito serão de pessoas ligadas ao gabinete do prefeito. Além de assessores e funcionários, serão ouvidas pessoas que entram com frequência na sala. Não dá para dizer nada. Ainda não há nenhuma hipótese por parte da polícia, disse o delegado. Só posso dizer que é coisa de inimigo. Mais nada, comentou o prefeito.
O início de ano foi conturbado para Sato. No primeiro dia útil do ano ele exonerou o vice-prefeito Michel Ângelo Bomtempo (PSB) do cargo de secretário de Indústria e Geração de Empregos. Segundo Sato, a decisão foi tomada por incompatibilidade política e pessoal com o ex-aliado.
Em 2001, dois casos agitaram a política municipal. O primeiro foi uma denúncia do presidente da Câmara de Vereadores, Alaor Euzébio dos Santos (PSB) funcionário da Jumbo Tornotécnica, empresa presidida por Bomtempo contra o secretário de Saúde, José Luiz Pançan. Na ocasião, Santos afirmou que os postos municipais estavam sendo abastecido com remédios fraudados os conhecidos B.O.s, ou bom para otário. Em novembro, Alaor foi afastado da presidência da Câmara depois de denúncias de irregularidades na reforma do prédio da Câmara Municipal. Ele obteve uma liminar na Justiça e voltou ao cargo.


