Porto Velho - A Polícia Federal (PF) descobriu um esquema em que deputados estaduais de Rondônia desviavam verba de gabinete para pagar contas particulares. O vice-presidente da Assembléia Legislativa, Kaká Mendonça (afastado do PTB), que, em um ano, teria recebido R$ 1, 13 milhão. irregularmente, usou quase R$ 10 mil há, aproximadamente, um mês para pagar um posto de gasolina em Pimenta Bueno, há cerca de 600 quilômetros de Porto Velho, onde ele e a família abastecem os carros.
Em depoimento ao Ministério Público do Estado (MPE), o dono do posto, Amarildo Farias Vieira, disse que Kaká Mendonça lhe pediu o nome de dois funcionários da empresa para enviar o pagamento. Vieira afirmou que enviou os nomes e recebeu dois cheques da Assembléia, de R$ 4.900,00 cada, para pagar a dívida. ''Eu achei estranha a forma de pagamento. Mas, no momento em que o deputado pediu tais dados, ele queria pagar e eu queria receber'', afirmou.
A PF investiga nomes de funcionários públicos lotados em gabinetes de 23 dos 24 deputados. Por meio de funcionários fantasmas, os deputados teriam desviado R$ 15 milhões em um ano. As informações foram extraídas de um microcomputador portátil apreendido no último dia 23 com um servidor público do Departamento de Recursos Humanos. Em mil folhas impressas com os dados do microcomputador, aparece uma relação de nomes sem Cadastro da Pessoa Física (CPF) no gabinete de quase todos os parlamentes. A maioria dos ''sem CPF'' está lotada no gabinete do deputado Ronilton Capixaba (PL).
O superintendente da PF no Estado, Joaquim Mesquita, disse que foram identificados casos de servidores fantasmas nos gabinetes de Kaká Mendonça, Ronilton Capixaba, Emílio Paulista (sem partido), Daniel Néri (afastado do PMDB), Ellen Ruth (afastada do PDT), Beto do Trento (PSDB), Chico Doido (PSB), João da Muleta (afastado do PMDB), Marcos Donadon (PMDB) e Carlos Henrique Bueno (PT), mais conhecido como ''Dr. Carlos''.

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