Agência Estado
De Cuiabá
A Polícia Federal (PF) acredita que poderá elucidar, nos próximos dias, o assassinato do juiz do Mato Grosso, Leopoldino Marques do Amaral. A PF descobriu que a arma utilizada para matar Amaral pertence ao paraguaio Félix Paniágua, tio de Paulo Paniágua, marido de Beatriz Árias, escrevente do Fórum Cível de Cuiabá. Ela é a principal suspeita do crime e foi presa há 17 dias, na Ilha Margarida, no Paraguai, após negociar sua rendição através de seu irmão, Joamildo Barbosa.
A mãe e o irmão de Beatriz Árias, Joana Árias e Joamildo Barbosa, confirmaram que o revólver calibre 38 pertence a Félix Paniágua. De acordo com os dois, o revólver foi emprestado de Félix por Beatriz quando ela percebeu que estava sendo seguida, assim que entrou, junto com o juiz, na região da fronteira do Brasil e do Paraguai. Beatriz Árias viajou com o juiz para Ponta Porã (MS) e a PF suspeita que ela foi usada como isca para atrair Amaral. A arma foi encontrada numa localidade da fronteira, após um telefonema anônimo recebido pela PF.
A escrevente também teria confirmado, em depoimento à PF que o revólver não era seu após a divulgação de que ela seria a proprietária da arma e que suas impressões digitais foram detectadas na perícia do Instituto de Criminalística (IC) de Brasília. O advogado da escrevente, Samir Hamoud, contestou as informações divulgadas em algumas emissoras de televisão e jornais, atribuindo a propriedade da arma à sua cliente. ‘‘Isso não procede, a informação é totalmente equivocada’’, disse ele. ‘‘No momento oportuno nós vamos esclarecer isso para a imprensa e para a sociedade’’.
Com relação ao exame que confirmaria as impressões digitais, Samir Hamoud garantiu que nada disso está nos autos do inquérito. ‘‘Não existe nada sobre isso também’’, disse. ‘‘Só se for extra-autos, porque nos autos não tem e, portanto, não procede’’. Mesmo alegando que Beatriz Árias é inocente, o advogado ainda não pretende pedir a revogação da prisão ‘‘porque ela está num local seguro’’. A escrivã foi uma das últimas pessoas a se encontrar com o juiz Leopoldino Marques do Amaral, em Ponta Porã, (MS), junto com seu tio, Marcos Peralta Árias, que está foragido.
DenúnciasA PF está realizando buscas no Paraguai para achar Félix, Peralta e o traficante Marcos Victor Guerra, que tinha um encontro marcado com o juiz, encontrado morto no dia 07 de setembro no Departamento de Concepción, no Paraguai. Amaral foi assassinado quando buscava mais provas para comprovar a suposta ligação de alguns desembargadores e juízes de Mato Grosso com o narcotráfico. O juiz denunciou vários desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). -
As acusações são de venda de sentenças, extorsão corrupção, tráfico de influência das esposas de alguns desembargadores, nepotismo, fraude em concursos públicos para juiz e de cargos administrativos da esfera do Judiciário e assédio sexual para contratação de funcionárias. O juiz também estava sendo acusado pela Corregedoria do TJ de desvio de recursos de depósitos judiciais sob a tutela da Vara de Família e Sucessões de Cuiabá, da qual era titular.
Inquérito policial já confirmou o desvio das verbas e o delegado João Bosco indiciou por crime de peculato a ex-assessora de Leopoldino, Márcia Campos, e a viúva de Amaral, Rosemar Monteiro. A polícia vai ouvir agora a irmã do juiz, Elielce Marques do Amaral, também acusada de participar do desvio.

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