Polícia de Alagoas prende dois suspeitos da morte de deputada
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sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Edson Luiz Agência Estado 
As polícias Civil e Militar de Alagoas prenderam na tarde de ontem o segurança do deputado federal Talvane Albuquerque (PFL-AL), identificado apenas como Jadielson, suspeito de ter intermediado o assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL), na noite de anteontem, em Maceió. Uma outra pessoa, cujo nome não foi revelado, foi presa sob suspeita de ter participado da chacina.
No atentado também morreram o marido da deputada, Juvenal Cunha, o cunhado, Iran Carlos Maranhão, e a mãe deste, Ítala Neide Maranhão Pureza. A PF vai enviar 14 agentes especiais de Brasília para ajudar nas investigações que estão sendo feitas pela Polícia Civil do Estado. Segundo uma fonte da Polícia Federal, há pelo menos duas hipóteses para o crime, e está descartada a possibilidade de participação de policiais ligados à gangue fardada, desbaratada este ano pelo governo federal.
Ontem, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, e o diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, seguiram para Maceió com o objetivo de acompanhar as primeiras movimentações da polícia civil. A Polícia Federal, como fez anteriormente, vai trabalhar auxiliando a Polícia Civil do Estado, informou Chelotti. Porém, as recomendações são para os agentes especiais que seguiram ontem a Maceió assumir informalmente as investigações.
As duas hipóteses para o crime estão sendo mantidas em sigilo pela PF e pelo secretário de Segurança Pública do Estado, delegado João Mendes. O caso é muito difícil, já que a deputada era uma médica conceituada, não tinha envolvimentos políticos e, aparentemente, não tinha inimigos, diz um delegado federal. A polícia também descarta a possibilidade de crime passional.
Pelas circunstâncias do crime - os matadores usaram armas pesadas, como metralhadoras e pistolas de nove milímetros, privativas das Forças Armadas - a primeira suspeita levantada foi a da participação de policiais acusados de pertencerem à gangue fardada, nome dado ao grupo de 60 homens da Polícias Civil e Militar que atuavam em extorsão, contrabando de armas e assassinatos no Estado, até o início deste ano. Não existe mais a gangue; isso é um negócio do passado, informou o delegado da PF.
A deputada foi morta com um tiro de espingarda 12 no pescoço, quando visitava a irmã, Claudinete Vieira dos Santos, que acabava de dar à luz. Um grupo de três homens chegou ao local, perguntou pela deputada e, ao ser informado de quem se tratava, começou a atirar.
Ceci foi morta à queima-roupa, enquanto o marido, o cunhado e Ítala, com tiros de metralhadora e pistola. Em seguida, os pistoleiros saíram normalmente da casa, usando um Fiat Uno e um Corsa sem placa. Claudinete só não foi morta porque estava no quarto amamentando o bebê recém-nascido.
Pelas primeiras investigações da polícia, Ceci poderia ser morta a caminho de Arapiraca (AL), onde morava e para onde ia depois de ser diplomada no TRE. Pelo levantamento inicial feito pelo Serviço de Inteligência da PM e pelos agentes da PF, os pistoleiros podem ser de Pernambuco, onde poderiam ter sido também contratados por um morador de Arapiraca.
Ontem, o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), seguiu para Maceió, com o secretário-executivo do partido, Paulo Pedroso, e os deputados Fátima Pelaes (PSDB-AP), Marinha Raupp (PMDB-RO) e Severino Cavalcanti (PFL-PE), além do senador Sérgio Machado (PSDB-CE). O PSDB exigiu do governo a apuração do caso. A OAB vai designar uma comissão para acompanhar as investigações.


