Polícia comprova subornos em licitações
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quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo menos R$ 500 mil teriam sido usados pela Associação Paranaense dos Empresários e Obras Públicas (Apeop) para pagar proprina a funcionários públicos que supostamente facilitavam processos de licitação. A informação é do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), que apreendeu na sede da entidade documentos e fitas cassetes onde estão gravadas reuniões entre membros da Associação e empresários, que comprovariam não só o suborno mas também lavagem de dinheiro e fraude em documento fiscal. O Nurce apontou também uma conexão do caso das fraude cometidas pela Apeop com as licitações das concessões de pedágio no Paraná.
''Os indícios são de que o dinheiro era repassado pelas empresas interessadas nas licitações para a Apeop, que repassava para os funcionários públicos'', explicou o coordenador do Nurce, Sérgio Sirino. E para justificar a saída do dinheiro, explicou o delegado, a Associação declarava em sua documentação fiscal que os valores eram doados para entidades filantrópicas. Segundo Sirino o contador da Apeop confirmou o crime. Agora a polícia investiga exatamente para quem o dinheiro foi repassado.
Em um dos documentos apreendidos pelo Nurce na sede da Apeop, que refere-se a uma doação de R$ 10 mil a uma suposta entidade filantrópica em agosto de 1998, consta uma nota assinada pelo ex-presidente da Associação, Bernardo Guiss, dizendo ''valor destinado para funcionários da Sanepar, para molhar as mãos dos membros em função de liberação de nomes das empresas que compram editais para concorrência (reuniões de acerto) dentro da Apeop''. Segundo Sirino não há registros contábeis da saída do dinheiro da Associação que era doado para as entidades filantrópicas, o que é obriatório por lei.
Além dos documentos, o Nurce recebeu gravações de reuniões entre a diretoria da Apeop onde se discutia os processos de licitação. As fitas foram entregues à polícia por oito testemunhas do caso que estão sob proteção. ''São gravações das reuniões onde eles acertavam como seriam as licitações e quais empresas participariam'', explicou Sirino. Segundo o delegado, das 20 pessoas que aparecem nas fitas, quatro negam participação. Por isso o Nurce vai encaminhar o material ao Instituto de Criminalística para comprovação.


