Polícia colhe depoimentos na Operação Grande Empreitada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de junho de 2005
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Foram ouvidas ontem pela Polícia Civil 16 pessoas sobre as acusações de fraudes em licitações de obras públicas no Estado. Doze dos 19 presos na Operação Grande Empreitada e outras quatro pessoas vinculadas aos supostos envolvidos prestaram depoimento durante toda a tarde de ontem no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), em Curitiba. Hoje devem depor outras sete pessoas. O teor dos depoimentos, considerados positivos pela polícia, não foi divulgado.
Doze presos foram transferidos do Cope para o Centro de Triagem. Quatro estão em prisão domiciliar. O advogado do presidente e dos diretores da Associação Paranaense dos Empresários de Obras Públicas (Apeop), Roberto Brzezinski, disse ontem que pode entrar hoje com pedidos de habeas corpus.
A operação foi deflagrada na terça-feira por uma força-tarefa formada por policiais do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), Cope e Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais (Tigre). Estão na lista de presos da Polícia Civil o presidente da Associação dos Empresários de Obras Públicas do Paraná (Apeop), Emerson Gava, diretores da Apeop e Mauro Marder, da empresa Redram e superintendente do Terminal de Contêineres do Porto de Paranaguá. As prisões e os mandados de busca e apreensão ocorreram em Curitiba, São José dos Pinhais, Quatro Barras, Maringá, São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo o delegado Sérgio Sirino, titular do Nurce, o esquema funcionava com a articulação da Apeop, que escolheria a empreiteira ganhadora de licitações públicas em reuniões sigilosas. O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, defendeu a extinção do núcleo jurídico da associação.
A Apeop divulgou nota oficial manifestando ''profunda indignação'' com os fatos. ''Desnecessária e descabida ação judicial culminou com a detenção do presidente da entidade e alguns dirigentes. Com serenidade adequada para o momento, a APEOP está analisando os acontecimentos''. A nota termina informando que usará ''de todos os recursos jurídicos'' para dirimir e esclarecer os fatos.
Parte da operação foi realizada no Rio de Janeiro. A Petrobras foi um dos alvos da operação, que fez busca e apreensão na empresa. Um consórcio formado pela Triunfo e BR Distribuidora Petrobras S/A teria sido um dos beneficiários do esquema, segundo o delegado do Nurce, pois venceu uma licitação de R$ 72 milhões, depois que uma outra construtora desistiu da ação que havia interposto contra o resultado da concorrência.
A Petrobras Distribuidora (BR) informou, também através de nota oficial, que as licitações no Paraná ''foram vencidas em função da qualidade dos seus serviços e de ter apresentado as melhores soluções de pavimentação com os menores preços''.


