O delegado-adjunto da Delegacia de Ordem Social, Vinicius Augustus de Carvalho, de Curitiba, foi designado ontem pelo diretor-geral da Polícia Civil do Paraná, Roberto Nascimento, para presidir a investigação sobre o rádio transmissor encontrado no último dia 9 sob a mesa da sala da diretoria do Banestado, no bairro Santa Cândida, em Curitiba.
Nascimento recebeu ofício do secretário de Segurança Pública, Rubens Tanure, para nomear um delegado especial para coordenar a investigação, depois que a Polícia Federal (PF) entendeu que não tinha competência para investigar o caso.
Na semana passada, a assessoria jurídica do Banestado remeteu o equipamento à PF e o pedido de abertura de inquérito para apurar a responsabilidade pela escuta das reuniões e conversas de diretores do Banco. Mas a Corregedoria da PF avaliou que a competência para apurar o possível crime não era dela. O superintendente da Polícia Federal, Luiz Glicério Silveira Ferrari, acatou o parecer da Corregedoria e encaminhou a documentação e o rádio transmissor ao secretário Rubens Tanure.
No ofício que chegou ontem ao secretário de Segurança Pública, a Polícia Federal informa ‘‘conhecimento e providências sobre o aparelho que serviria para escuta clandestina e teria proporcionado prática criminosa contra o sistema financeiro nacional, prevista no artigo 3º e 18º da lei 7492/86’’.
O rádio, segundo o presidente da instituição, Manoel Campinha Garcia Cid, é pouco maior que uma caixa de fósforo, funcionava a pilha e podia transmitir a uma distância de até 50 metros sintonizado em FM (99,7 MHz). Garcia Cid disse que os peritos que localizaram o equipamento informaram que a distância permitia que as conversas fossem ouvidas dentro do banco ou em frente ao prédio.
Rubens Tanure informou ontem que o equipamento deve passar por uma perícia. ‘‘Estava lacrado e nem cheguei a ver’’, afirmou. O diretor geral adjunto da Polícia Civil, delegado Leonyr Ribeiro, informou que deve ser instaurado inquérito para investigar o caso. Para Ribeiro, o caso aparentemente não é complicado.‘‘Agora, se o aparelho servia para escuta e era eficiente é a perícia que vai dizer’’, acredita.
O delegado responsável pelas investigações, Vinicius Augustus de Carvalho, ainda não tinha recebido comunicado oficial de sua designação para o caso. Ele ficou sabendo através da Folha. ‘‘Ainda não tenho conhecimento do que se trata e não posso adiantar nada’’, afirmou.

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