Polícia Civil indicia Belinati por desvios
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Lino Ramos de Londrina 
O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) está indiciado em inquérito na Polícia Civil sob acusação de envolvimento no desvio de recursos por meio de licitações fraudulentas na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e a antiga Comurb atual CMTU. A Folha apurou que Belinati é acusado de formação de quadrilha e peculato, mas o indiciamento está sendo mantido sob sigilo. As investigações do Ministério Público (MP) revelaram que os desvios no chamado escândalo AMA-Comurb somam, pelo menos, R$ 16 milhões, mas o montante pode chegar a R$ 200 milhões.
São 10 inquéritos sobre as licitações fraudulentas e três referentes a contratações irregulares. O responsável pelas investigações é o delegado do 2º Distrito Policial (DP), José Arnaldo Perón Martins. Ele não quis confirmar o indiciamento de Belinati, alegando que o caso está sob segredo de Justiça. Sem citar nomes, ele disse apenas que quem tinha que ser indicado já foi. Segundo ele, a conclusão do trabalho só depende das cartas precatórias enviadas a empresas de Curitiba, suspeitas de envolvimento com o escândalo.
Perón também encaminhou carta precatória à Polícia Civil de São Paulo, pedindo que seja ouvida uma pessoa que teria aplicado recursos desviados da Prefeitura de Londrina na Bolsa de Valores de São Paulo. O pedido foi dirigido ao Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimonias (Depatri). Nesta semana, o MP recebeu um ofício do delegado solicitando cópias de cheques das licitações fraudulentas, obtidas pelas investigações da promotoria.
Belinati preferiu não comentar o assunto e se mostrou tranquilo, dizendo que o indiciamento é um fato normal, porque geralmente as denúncias do MP são encaminhadas à polícia com pedido de abertura de inquérito. Na minha avaliação é um procedimento normal e não existe novidade em relação a esse assunto, avaliou.
As fraudes na prefeitura começaram a ser investigadas há dois anos pelo delegado do 4º DP, Joaquim Antonio de Melo. Por determinação do ex-delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Noronha, os inquéritos foram para Curitiba. No início do ano passado, o caso foi transferido para Perón, que na época era o titular do 6º DP.
Melo indiciou cerca de 20 pessoas por envolvimento com as licitações fraudulentas. Além de Belinati, são acusados o tesoureiro do ex-prefeito, Cassemiro Zavierucha, o Carlos Júnior; os ex-diretores da Comurb, Eduardo Alonso e Lúcia Brandão; o ex-secretário municipal de Governo, Gino Azzolini Neto e os ex-diretores da AMA, Mauro Maggi e Júlio Bittencourt.
Belinati tornou-se o primeiro prefeito da história de Londrina cassado pela Câmara de Vereadores, após uma Comissão Processante avaliar denúncias de promoção pessoal e gastos publicitários excessivos na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI). O pagamento irregular de R$ 60 mil para o show de inaguração do PAI, que não ocorreu, culminou no pedido de prisão preventiva de Belinati pelo Ministério Público Estadual. O pedido está sendo analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).


