Brasília - O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) foi indiciado ontem pela Polícia Civil de São Paulo pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha e peculato (corrupção). Ele foi ouvido ontem na Corregedoria da Polícia Civil, em Brasília, sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo as empresas de varrição contratadas em Ribeirão Preto (SP) quando era prefeito da cidade. Palocci foi interrogado por cerca de duas horas e 40 minutos por dois delegados e pelo promotor de Justiça de Ribeirão Preto, Daniel José de Angelis, sobre o contrato de lixo que causou um prejuízo estimado em R$ 30 milhões.
  O delegado de Ribeirão Preto, Benedito Valencise, que preside o inquérito, não pôde comparecer ao depoimento, mas enviou uma carta precatória com as perguntas que deveriam ser feitas ao ex-ministro.
  Palocci não foi ouvido anteriormente nas investigações da Polícia Civil porque tinha foro privilegiado devido ao status de ministro. Ele perdeu o privilégio ao pedir afastamento do cargo após envolvimento com o escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
  Ao final do interrogatório, o promotor afirmou que não acredita que um esquema que causou um prejuízo de R$ 30 milhões tivesse passado despercebido pelo prefeito da cidade. Palocci foi prefeito de Ribeirão Preto no período de 2001 e 2002, quando foram constatados os prejuízos nos contratos.
  O promotor Daniel de Angelis disse Palocci pode passar por uma acareação com a ex-superintendente do Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) Isabel Bordini. No depoimento de ontem, Palocci disse que Bordini era a responsável pelos contratos de varrição da Prefeitura de Ribeirão Preto.
  Palocci disse ainda que não tinha conhecimento dos detalhes dos contratos, que não eram assinados por ele, e que também não tinha a atribuição de acompanhar a execução dos serviços de varrição.
  Angelis disse que Palocci foi indiciado porque a Promotoria suspeita que ele era o organizador do esquema de corrupção envolvendo as empresas de lixo de Ribeirão. Para o promotor, são poucas as chances de Palocci realmente desconhecer as irregularidades envolvendo a contratação dos serviços de varrição de Ribeirão. ‘‘Um valor desse [de R$ 30 milhões], em quatro anos, não passaria despercebido pelo prefeito’’, disse ele se referindo ao valor do contrato.
  A Polícia Civil pretende indiciar outros suspeitos de envolvimento no esquema. Segundo as investigações, Palocci e os demais suspeitos teriam desviado recursos públicos para repassar à empresa de varrição Leão Leão e ao PT, o que configuraria crime de peculato.
  O ex-ministro já foi indiciado na Polícia Federal, acusado de ordenar a quebra do sigilo bancário de Francenildo, que acusou Palocci de freqüentar uma casa em Brasília usada para encontro de lobistas e festas com garotas de programa.

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