O comando da Polícia Civil de Maringá defendeu ontem a remoção do ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi para uma cela especial da 9 Subdivisão Policial (SDP). Segundo o comando, desde a prisão do ex-secretário, em dezembro do ano passado, a Polícia Civil mantém uma cela reservada para abrigar o ex-secretário.

Conforme o delegado-adjunto da 9 SDP, Nilson Rodrigues da Silva, o minipresídio sempre ofereceu estrutura de cela especial para detentos com curso superior. Por questões de segurança, alegadas pela defesa e aceitas pela Justiça, Paolicchi acabou ficando em um quarto do 4 Batalhão da Polícia Militar. O ex-secretário é acusado de participar de esquema que teria desviado mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de Maringá. ''Aqui (na 9 SDP), o ex-secretário ficaria tranquilo, junto com o médico Décio Basso'', disse o delegado.

Basso foi preso este ano pelo sequestro da filha de um outro médico maringaense. Os advogados dele tentaram a transferência para o batalhão porque entenderam que o cliente teria direito ao mesmo privilégio de Paolicchi, já que ambos possuem curso superior. ''No caso do Basso, a Justiça não aceitou porque alegou que a 9 SDP tem cela especial e a transferência era desnecessária'', informou o advogado do médico, Antonio Carlos de Andrade Vianna. Segundo ele, a legislação permite prisão em batalhão de PM apenas para oficiais da corporação e advogados. Paolicchi é formado em Ciências Contábeis.

A Folha apurou em reportagem feita durante duas semanas seguidas que o ex-secretário mantém uma série de privilégios na PM. Entre eles, o uso de celular e o de determinar o horário de visitas. Além disso, as condições do quarto e de alimentação, custeadas pelo próprio Paolicchi, não são compatíveis com as de outros detentos.

O comandante do 4º BPM, tenente-coronel Erbt Afonso Pinto da Silva, disse ontem que as informações prestadas à reportagem da Folha, por fontes e entrevistas feitas na área do batalhão, ''são fruto de uma imaginação criminosa''. Silva acredita que uma das fontes pode até ser de um policial em represália por alguma reprimenda feita em razão de um procedimento administrativo interno.

Para o tenente-coronel, a matéria sobre as regalias do ex-secretário ''fere a dignidade do comando''. ''Isso fere a minha idoneidade moral, meu caráter e minha honra.'' Segundo ele, o ideal seria o batalhão ter acesso às informações da reportagem. ''Afinal, um soldado prestar serviço particular fora do expediente não fere nenhuma lei, mas é imoral.''

Silva negou que o ex-secretário tenha regalias. Disse também que, sob o seu comando, nenhum oficial deu ordem para que vizinhos do batalhão evitassem receber pessoas estranhas ou jornalistas com o objetivo de resguardar a imagem do ex-secretário.

Durante a reportagem, em que se constatou o monitoramento e o excesso de segurança, inclusive na chácara do ex-secretário, a equipe chegou a receber ameaça de morte. O delegado-chefe da 9 SDP, Maurício de Oliveira Camargo, disse ontem que ficou preocupado com a situação. ''Isso é mais que uma ameaça e vamos tomar providências'', afirmou. Após as ameaças, a Folha registrou um boletim de ocorrência.

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