Polícia caça atirador que feriu prefeito
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sábado, 30 de agosto de 1997
Agência Estado Belo Horizonte 
Uma operação especial envolvendo as polícias civil e militar de Minas Gerais foi montada para prender o responsável pelo atentado contra o prefeito de Betim (região metropolitana de BH), Jésus Mário de Almeida Lima (PT) na noite de anteontem. A determinação foi dada pelo governador Eduardo Azeredo. Segundo as testemunhas, os tiros foram disparados por um homem claro, de cabelos lisos, que usava bigode, estava sozinho e aparentava ter de 40 a 45 anos. O homem fugiu logo após os disparos.
O secretário de Segurança de Minas Gerais, Santos Moreira, visitou o local do atentado ontem pela manhã e disse que ainda é muito cedo para tirar conclusões. A princípio, ele acredita que o caso não foi premeditado. Ao contrário da ex-prefeita da cidade, Maria do Carmo Lara. Para ela, a agressão foi encomendada, embora não tenha noção de quem possa ter feito isso.
O prefeito Jésus Lima, de 36 anos, ainda está internado no hospital Regional de Betim, para onde foi levado imediatamente após os disparos. O estado de saúde dele é grave. De acordo com o boletim médico divulgado no início da madrugada de sábado, o prefeito já havia perdido um rim.
Jésus Lima levou 5 tiros à queima-roupa na porta do Centro de Artes Profissionais da cidade, depois que havia acabado de participar da abertura do Congresso Municipal de Educação. Quatro tiros atingiram seu peito e um o abdómen. Cerca de 600 pessoas estavam presentes, entre políticos e servidores públicos. Outras duas pessoas também foram atingidas, mas sem gravidade.
O ex-deputado federal Virgílio Guimarães, do PT, disse ontem, no encontro nacional do partido, no Hotel Glória, Rio, que o atentado contra o prefeito de Betim, Jésus Lima, pode ter sido cometido por pessoas ligadas ao narcotráfico. Segundo ele, há menos de uma semana foi estourada, em Betim, uma fortaleza do tráfico. Foram presos traficantes internacionais e a polícia encontrou uma lista com nomes de promotores e juízes que seriam assassinados.
Guimarães contou que os juízes foram ameaçados e estão sob proteção policial. Na sua opinião, o atentado pode ter sido um recado dos traficantes, pelo fato de o prefeito ter apoiado a operação. O ex-parlamentar não descartou, no entanto, a hipótese de o crime ter sido cometido por outro motivo.


