Polícia barra ato de mulheres de militares
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - A Polícia do Exército (PE) conteve ontem, em Brasília, uma manifestação de mulheres de militares, durante a cerimônia do Dia do Exército, na qual participou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O protesto, que era para ser silencioso, com a abertura de faixas em frente do palanque de autoridades, tornou-se barulhento com a intervenção de cerca de 70 policiais, que formaram uma barreira a cerca de 400 metros do local e impediram que o grupo de 20 mulheres se aproximasse de Lula.
No fim da solenidade, a presidente da União de Esposas de Militares das Forças Armadas (Unemfa), Ivone Luzardo, furou o bloqueio e ficou na frente do carro da segurança que o acompanha, agarrando-se no espelho retrovisor, mas não conseguiu falar com ele, que saiu em outro automóvel.
Mesmo de longe, as mulheres chamaram a atenção. ''Isso é ditadura da violência, a ditadura da fome. Nós queremos falar com Lula. Ele tem de nos ouvir'', gritava a vice-presidente da Associação das Esposas de Militares das Forças Armadas (Anemfa), Maria Pavanesco, ao ser agarrada por policiais militares, quando forçava a passagem pela barreira. Maria Pavanesco passou mal e foi atendida por um médico militar, mas se recusou a deixar o local. ''Vocês não vão me levar. É melhor me dar um tiro aqui mesmo'', bradava.
Várias faixas pediam o cumprimento da promessa de um reajuste para a categoria. ''Morrer, se preciso for! Ser humilhado, jamais!'', dizia uma das faixas. As entidades de mulheres de militares cobram o aumento de 25% nos salários dos militares, prometido para o primeiro trimestre deste ano, depois da elevação 10% concedida em setembro.
As mulheres vestiam camisetas pretas, com os dizeres ''Nada mais temos a perder''. A partir do dia 26, elas planejam acampar em frente ao Ministério da Defesa até que o acréscimo seja dado. Uma manifestante mostrou o contracheque de março do marido, primeiro sargento do Exército. O documento mostra uma remuneração bruta de R$ 2.940,00, mas, com os descontos, o valor líquido é de R$ 1.540,00.
À tarde, em cerimônia para a apresentação dos oficiais generais recém-promovidos, no Palácio do Planalto, o presidente Lula reanimou os militares, com a possibilidade da concessão do reajuste salarial de 23% prometido em 2004. ''Quero que vocês saibam que vamos trabalhar não apenas com vontade política, mas com carinho, para ver se encontramos uma forma não apenas de discutir a questão salarial, mas de discutir a recuperação das Forças Armadas brasileiras '', disse.


