A Polícia Federal (PF) só espera o depoimento do pastor Caio Fábio de Araújo Filho para concluir a parte brasileira do inquérito que apura a circulação dos documentos envolvendo ministros e o presidente Fernando Henrique Cardoso, em supostas contas nas Ilhas Cayman.
A partir dos depoimentos, a serem tomados esta semana, a PF vai enviar um delegado e um agente ao Caribe, que concluirão as investigações, feitas desde a semana passada, pela Polícia Internacional (Interpol) e o FBI (a polícia federal americana).
A PF ainda não tem a garantia de que os documentos são falsos, segundo um delegado que acompanha as investigações. ‘‘A maioria das pessoas ouvidas diz isso, mas a veracidade ou não só será comprovada depois do exame pericial’’, afirma o delegado. Isso, de acordo com o policial, só será feito quando forem encerradas as investigações no Brasil, que hoje estão centralizadas em Araújo Filho. O diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, está conduzindo as negociações com o advogado do pastor, o ex-governador do Rio Nilo Batista.
A PF espera ouvir Araújo Filho até o fim da semana, quando começará a investigar as rotas internacionais percorridas pelo documento até chegar ao Brasil. Até agora, a apuração do caso está sendo feita pela Interpol americana e o FBI, que também ajudaram a polícia brasileira na elucidação de casos como o esquema PC (Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello). ‘‘O depoimento de Caio Fábio é importante porque foi ele quem deu as primeiras pistas da origem do documento, que seria Miami’’, afirma o delegado. Entretanto, a PF nega que tenha indiciado o pastor. ‘‘Tecnicamente, seria impossível, pois ele ainda não foi ouvido e não temos indícios sobre sua participação no caso’’, acrescenta a fonte. Os documentos investigados pela PF foram distribuídos em setembro envolvendo José Serra e Sérgio Motta, morto em abril.

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