Polícia abre novo inquérito sobre fazenda de deputado
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sábado, 20 de janeiro de 2007
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina instaurou ontem novo inquérito para apurar eventuais crimes ocorridos na fazenda 3J, em Guaravera (Zona Sul de Londrina), desde setembro do ano passado. A chefia da corporação trabalha com as suspeitas de corrupção de menores, formação de quadrilha, exercício arbitrário da razão, dano ao patrimônio, furto e roubo. Propriedade da família do deputado federal licenciado José Janene (PP), a área havia sido invadida em 2006 por famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na última terça-feira, a polícia foi chamada ao local ante a denúncia de que homens fortemente armados teriam expulsado os assentados dali. Dois deles estão presos desde então, flagrados por porte ilegal de armas e munição.
A nova investigação começa a tomar depoimentos já na próxima segunda-feira, quando acontecem as oitivas de ex-assentados em delegacias de Londrina, Tamarana e Faxinal (76 km ao sul de Apucarana), cidades onde os sem-terra estão temporariamente alojados. A ordem para instauração do procedimento partiu do delegado-chefe da Civil, Sérgio Barroso, que designou o delegado-adjunto, Nélson Águila, para chefiar os trabalhos.
De acordo com Barroso, o objetivo é verificar se houve ato criminoso no que ele chama de ''reintegração forçada'' na 3J, esta semana, bem como durante a ocupação das famílias.
''Queremos ver se houve formação de quadrilha, pois as vítimas dizem ter sido abordadas de forma violenta por cerca de 30 homens encapuzados que se identificaram como policiais. Além do mais, como entre os 14 detidos havia quatro adolescentes, vamos apurar também se houve corrupção de menores'', explicou.
Conforme o delegado, o novo inquérito vai anexar aquele que foi instaurado pela Delegacia de Tamarana e chefiado pelo delegado do 6º Distrito Policial (DP), Algacir Ramos. A documentação composta basicamente por termos circunstanciados colhidos de 15 depoimentos - encaminhada por Ramos ontem ao Juizado Especial Criminal e à Vara de Infância e Juventude - vai instruir os próximos passos.
Barroso explicou que denúncias de abate de animais feitas tanto por administradores da fazenda quanto por ex-assentados também serão apuradas. ''Há esses supostos crimes de dano e furto, e ainda os de que eletrodomésticos da fazenda e num motor da piscina teriam sido furtados ou roubados. O inquérito vai dizer o que houve, de fato'', complementou o delegado-chefe, que deve chamar também para oitivas proprietários e administradores da 3J.
Também ontem, o delegado-adjunto e homens da Polícia Militar (PM), amparados pela Tropa de Choque, realizaram a retirada de pertences dos sem-terra no local. Cerca de 10 animais - entre gado, cavalos e porcos -, roupas e instrumentos de trabalho em lavoura foram colocados em dois caminhões, após a coleta acompanhada pelos policiais e por representantes de Janene e do MST. ''Foi tudo tranquilo, não houve qualquer confronto'', resumiu Águila. Representantes do MST, contudo, afirmam que faltavam no local quatro animais que seriam do movimento. Até ontem, porém, não havia queixa registrada sobre a reclamação.


